Por que não tomar vacina contra a gripe? Depois de insistir para obter uma explicação, o amigo me disse: "Pode dar reação!" Como assim? "Eu não sei o que tem na vacina! E se me passar outra doença?" Ah, ainda me disse o amigo: "Não acredito em nada que venha de graça, de governos e de ONGs! Essas coisas não são confiáveis." Diante de tantos escândalos com essas instituições, resolvi não explicar e me calei.
Em alguns países mulçumanos, em 2007, foram disseminadas informações apavoradoras sobre a vacinação contra a paralisia infantil ou poliomielite. Uma dessas informações afirmava que a vacinação era pretexto para que os ocidentais contaminassem a população com o vírus da aids com o objetivo de reduzir o número de muçulmanos no mundo.
Ao mesmo tempo, outra informação disseminava a ideia de que a vacinação contra a paralisia infantil tinha o objetivo de esterilizar as meninas muçulmanas. Por mais absurdas que possam parecer, religiosos radicais ajudaram a disseminar o medo e 24 mil famílias se recusaram a vacinar seus filhos. Alguns locais onde funcionavam clínicas e serviços de saúde foram ameaçados ou depredados.
Os governos, Unicef, OMS, Cruz Vermelha e Médicos sem Fronteiras procuram correr atrás do prejuízo e conscientizar a população sobre a importância da vacinação, assim como sobre a sua segurança. Fica muito difícil quando se toma conhecimento de que certos acontecimentos, embora pareçam peças de ficção ou teorias da conspiração, são verídicos, pois foram confirmadas pelos governos e órgãos envolvidos.
Nosso corpo tem muita água e proteínas. Depois de proteínas, temos carboidratos, lipídeos e outros componentes em menores proporções. Durante a vida intra-uterina todas as proteínas que entram como parte de nossa estrutura são catalogadas ou registradas em uma lista ou memória. Isto acontece quase que exclusivamente com as proteínas.
Depois do nascimento esta lista se fecha e ninguém mais entra nesta memória. Quando algo entra na intimidade dos tecidos, acontece sua ingestão pelos macrófagos, um tipo celular presente em todas as partes do corpo. Esta célula desmonta a proteína e a confere parte a parte. Se todas as partes forem iguais às da memória o que entrou será considerado normal com permissão para perambular livremente pelo corpo.
Agentes estranhos
Mas, se os macrófagos detectarem partes protéicas estranhas no que entrou no organismo, contarão tudo para os linfócitos, um outro tipo de célula que comanda as reações biológicas do corpo contra agentes estranhos. Os linfócitos T4, como exímios maestros, comandam estas reações que, no conjunto, pode ser referido como resposta imunológica. Isto ocorre normalmente todos os dias.
Um dos produtos mais importantes para combater o agente estranho que entrou são os anticorpos, verdadeiras armas biológicas para marcar, grudar e imobilizar agressores, preparando-os para ser engolidos e digeridos pelas células.
Para cada tipo de agressor a resposta imunológica é específica perdurando por anos ou toda vida. A vacina é um agressor enfraquecido que imita o verdadeiro e perigoso agente; quando introduzido no corpo induz uma resposta com produção de anticorpos. Depois da vacinação o corpo fica preparado para destruir e eliminar o agressor. A descoberta deste mecanismo de proteção representa uma das maiores descobertas da história humana.
Por relatos da revista Science e do jornal The Guardian, a estadunidense CIA aliciou Shakil Afridi, um médico do serviço público do Paquistão. Suspeitava-se que na cidade de Abbottabad viveria Bin Laden, mas desconheciam o local exato. Há anos a CIA já tinha o DNA da sua irmã.
O médico e técnicos de saúde "anunciaram" ou armaram uma campanha de vacinação contra a hepatite B na cidade, especialmente nas áreas onde mais suspeitavam que morava Bin Laden. Os técnicos eram orientados a administrar a vacina e colher o sangue das crianças, uma manobra muito rápida e facilmente disfarçável.
Ao comparar o DNA das crianças "vacinadas" com o da irmã de Bin Laden, identificaram seus filhos e a moradia. Em comunicado oficial, o governo estadunidense confirmou que a vacinação realizada fez parte da estratégia para localizar e capturar o inimigo número um! Será que certas pessoas podem pronunciar a palavra ética?
Prometi ao meu amigo nunca mais implicar com o fato dele recusar-se a tomar vacinas!
Alberto Consolaro é professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC. E-mail: consolaro@uol.com.br