Londres - A calmaria no mercado financeiro com a indicação de “governos técnicos” na Itália e na Grécia durou pouco. Enquanto os dois governos enfrentam dificuldades internas, Bolsas pelo mundo voltaram a cair, e investidores cobraram juros recordes por títulos da Itália e Espanha. Na Itália, Mario Monti, indicado para ser o novo primeiro-ministro após a saída de Silvio Berlusconi, ainda tenta compor seu gabinete.
A princípio seria formado só por técnicos, mas deve incluir políticos para assegurar o apoio da maioria dos partidos às medidas para cortar a dívida do país, de 1,9 trilhão de euros. Monti, que deu a entender que tem a expectativa de governar até 2013, terá resistências para implantar impostos para os mais ricos e cortar verba para o Legislativo.
Em meio às negociações, a Itália fez leilão para vender 5 bilhões de euros em títulos a vencer em cinco anos. Vendeu, mas pagou juros de 6,29% - maior índice desde 1997, quando ainda não adotara o euro.
Já os títulos de dez anos da Espanha foram negociados acima dos 6% ao ano pela primeira vez desde agosto.
São percentuais considerados insustentáveis. Países como Grécia, Irlanda e Portugal tiveram que recorrer a empréstimos internacionais quando os juros de seus títulos ficaram próximos de 8%. O italiano Monti é apontado como o “sonho” dos mercados. É respeitado no país e no exterior, tem convicções liberais e parece livre de alianças políticas.
Foi nomeado senador vitalício pelo presidente Giorgio Napolitano - oficialmente, pelos “altíssimos méritos nos campos científicos e sociais”. Ele não precisava ser senador para assumir o cargo de premiê, mas sua nomeação no meio da crise foi vista como forma de lhe dar maior legitimidade entre políticos.
Na Grécia, Lucas Papademos (pronuncia-se “papadimos”) fez seu primeiro discurso no Parlamento. Comprometeu-se com medidas de austeridade, mas disse que o tempo que terá no governo, em tese até fevereiro, não é suficiente para enfrentar a enorme crise econômica.
Já o líder do partido Nova Democracia (de oposição), Antonis Samaras, disse que não votará por mais sacrifícios para o povo grego.