Se o sábado do SWU teve música negra e a segunda-feira foi destinada ao hard rock, a programação do domingo foi difícil de classificar.
O encerramento do segundo dia do evento - que de Zé Ramalho a Courtney Love -, em Paulínia (a 117 km de São Paulo), trouxe duas atrações que só têm em comum os anos de estrada. Peter Gabriel, responsável pelo último show da programação, é um britânico cujo trabalho, denso e politizado, tornou-se ainda mais grandioso em companhia da New Blood Orchestra.
Já o Lynyrd Skynyrd é uma banda de norte-americanos beberrões e simpáticos que só pensam em divertir seus iguais: outros beberrões, principalmente os que fãs das motos Harley-Davidson.
A apresentação de Gabriel, com arranjos lentos e canções introspectivas, demanda silêncio e concentração. Tem vocação para espaços fechados e menores.
Os fãs foram extremamente respeitosos, assistindo a tudo com reverência. Até se empolgaram em hits como "In Your Eyes", "Mercy Street" e "Solsbury Hill".
Mas o progressivo esvaziamento da área em frente ao palco mostrou que nem todos conseguiram aguentar as quase duas horas de espetáculo. Até porque Gabriel acrescentou longos discursos em português.
Além das introduções das canções, contando as histórias por trás delas, Gabriel defendeu causas políticas, desde a Primavera Árabe até a luta contra o alistamento forçado de crianças na África.