Brasília - O governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB), quase causou um incidente diplomático ao decidir participar de um comício, no início deste mês, na Guiana, e defender, sem meias palavras, a manutenção do partido do atual presidente, Bahrrat Jagdeo, no poder.
A intromissão do governador durante a acirrada campanha eleitoral no país vizinho ao seu Estado obrigou a diplomacia brasileira a dar explicações a irados representantes dos partidos de oposição.
Anchieta teria ido à Guiana participar de uma reunião com Jagdeo sobre projetos conjuntos de ligação entre Roraima e o país vizinho. Mas, à noite, o governador foi convidado e aceitou participar do comício em Lethem, cidade na fronteira com o Brasil. Depois de falar, Jagdeo passou a palavra a Anchieta.
“Nós acompanhamos o mandato do presidente Jagdeo e vimos a evolução do Estado Guianense”, disse o governador, completando: “Eu tenho a certeza que a gestão de Jagdeo será a melhor gestão que este país já teve”.
Uma reclamação formal contra a participação do governador foi feita na embaixada do Brasil em Georgetown, capital da Guiana, mas a ação de Anchieta era desconhecida pelo Itamaraty. O Ministério das Relações Exteriores se viu obrigado a enviar uma correspondência oficial reafirmando a posição brasileira de “não intervenção” e “neutralidade” nas eleições nos países vizinhos, deixando claro que a presença de uma autoridade brasileira no comício não significava apoio a nenhum partido.