Nem sempre a moda do dia a dia cai bem para quem circula de motocicleta, veículo que pode provocar quedas ao mínimo “descuido” do condutor e do carona. Alguns motociclistas não se preocupam com itens de segurança fundamentais, além daquilo que é obrigatório pela legislação.
Outras pessoas devem estar conscientes porque utilizam a moto, praticamente, como extensão de seus corpos, como entregadores de alimentos e correspondências e mototaxistas. Esses profissionais passam grande parte do dia sentados sobre o veículo de duas rodas e podem ser surpreendidos pelo excesso de autoconfiança.
O piloto de motocross e instrutor de uma montadora de motos multinacional Marcel Sona Cardoso cita que utilizar chinelo para dirigir é “cruel”, além de proibido. Porém, algumas pessoas tiram o chinelo e dirigem descalças. Cardoso cita que, em uma curva, caso a moto escorregue, o condutor pode bater o pé no chão ou atingir uma pedra ou outra superfície, se machucando. Se estiver de calçado fechado, minimiza os efeitos.
Ele ressalta o fato de Bauru ter uma frota com mais de 240 mil veículos. O instrutor sugere uma equação simples, mas que depende do senso de preservação de cada um. Cardoso comenta que, quanto maior a velocidade, proporcionalmente, maior deve ser o número de itens de segurança adotados.
Ao invés de shorts e bermudas confortáveis, o ideal é uma calça que proteja contra quedas e a eventual “ralada” no asfalto. Camisetas sem manga aumentam a sensação do vento batendo no corpo e, por consequência, de liberdade. Em caso de queda, as partes do corpo desprotegidas ficam expostas a lesões mais sérias. O mesmo critério de prudência deve ser adotado com os pés. “Moto é feita para cair”, segundo o ex-motoqueiro Jô Soares, humorista e apresentador de TV: “Um dia, a moto vence”.
A viseira também não é um enfeite no capacete. O instrutor cita que muita gente anda com a viseira aberta. A reportagem do JC flagrou vários motociclistas e caronas no Centro, na tarde de ontem, fazendo uso incorreto do equipamento. Carona e condutores pouco se importavam com piso escorregadio devido à chuva.
Na rua Gustavo Maciel, cruzando a avenida Rodrigues Alves, lá está o motoqueiro de bermuda e viseira alta, enquanto o carona está todo paramentado, porém de viseira levantada.
Cardoso esclarece que, a uma velocidade de 60km/h, se um inseto tocar os olhos do condutor, o reflexo normal é fechar os olhos, instante suficiente para distrair o motociclista e causar um acidente.
“Vai para a guia ou um carro corta a frente, solta do guidão para mexer nos olhos. Isso leva a ‘n’ situações que podem causar acidentes”, elenca.
A viseira é um item de proteção que precisa de manutenção. Cardoso reprova viseira riscada. Ele explica que, à noite e com chuva, o equipamento danificado impede que o motociclista enxergue bem.
A estrada é um ambiente completamente diferente e a condução de moto em rodovia exige prudência, somada à experiência. O instrutor cita que um bicho, uma pedra, ou outro objeto qualquer pode ser arremessado na passagem de outros veículos e o equipamento de segurança é fundamental para proteção da cabeça aos pés. Ele frisa que a opção por capacete deve ser pelos modelos fechados.
Cardoso salienta que a moto é um veículo ágil e dá uma sensação de liberdade, porém, que tem que haver respeito. Ele orienta as pessoas que devem cumprir as normas de trânsito e utilizar todos os equipamentos em condições e de maneira corretas. Lembrando sempre que o motociclista é quem leva desvantagem nos acidentes.
Carona não é carga
A pessoa que viaja na garupa de uma moto precisa estar sintonizada e muito atenta a tudo que ocorre. O instrutor de uma montadora de motos multinacional, o piloto bauruense Marcel Sona Cardoso explica que, muitas pessoas na carona da motocicleta, não se comportam adequadamente. Agem como se fossem “carga”.
Ele avalia que o garupa necessita vivenciar a situação, estando alerta para as manobras e para o trânsito de forma global.
Cardoso orienta que o carona deve deslocar o pescoço para o lado para acompanhar a movimentação do trânsito.
O instrutor conta que é muito comum a moto passar sobre um quebra-molas ou sobre um buraco e o garupa ficar pelo caminho caído.
Como equívocos mais comuns dos caronas, o instrutor cita não apoiar os pés nas pedaleiras. É errado segurar nos ombros ou braços do condutor. O instrutor relembra que se deve apoiar nas alças da estrutura da moto ou na cintura do motociclista.
|
|