Atenas - A polícia grega lançou ontem gás lacrimogêneo contra jovens manifestantes, enquanto milhares de pessoas tomavam as ruas de Atenas para lembrar o levante estudantil de 1973 contra a ditadura militar (1967-1974) e protestar contra as medidas de austeridade do governo.
Estudantes, professores, operários e aposentados saíram em passeata tocando tambores e gritando “Fora UE (União Europeia), FMI (Fundo Monetário Internacional)”, no primeiro teste público para o novo governo de unidade nacional, responsável por impor à população dolorosos reajustes de impostos e cortes de gastos públicos para evitar a falência da Grécia.
A data marca anualmente protestos contra os líderes políticos e ajustes econômicos. Em anos anteriores, houve conflitos e, em um momento de tensão nacional, as autoridades estão com a atenção voltada ao evento.
Segundo o Ministério de Proteção ao Cidadão, mais de 7 mil agentes foram mobilizados em Atenas para evitar distúrbios, uma vez que a tradicional manifestação já se tornou palco de confrontos entre grupos radicais e a polícia.
De acordo com estimativas dos organizadores, cerca de 7 mil pessoas estiveram presentes, o que fazia com que houvesse quase um policial para cada manifestante presente.
Os incidentes mais graves aconteceram em 1980, quando dois manifestantes morreram em um confronto que durou toda a noite e causou várias dezenas de feridos.
Neste ano, a comunidade universitária está profundamente descontente por conta de uma nova lei aprovada no Parlamento em setembro com os votos dos três partidos que integram e apoiam o novo Executivo de Papademos.
A nova legislação reduz drasticamente o poder dos reitores, introduz o financiamento das universidades pelo setor privado e derruba a proibição da presença policial nos campus sem convite prévio das autoridades universitárias.