09 de julho de 2026
Regional

Protesto para SP-225 por meia hora

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 5 min

 

Cerca de mil pessoas participaram do protesto ontem, que parou a rodovia Bauru-Ipaussu por cerca de meia hora

Espírito Santo do Turvo – Um dos maiores processos de falência da história do Judiciário brasileiro atinge o emprego de cerca de duas mil pessoas direto e indireto em Espírito Santo do Turvo (75 quilômetros de Bauru). Ontem, cerca de 1.000 pessoas paralisaram o trânsito nos dois sentidos da rodovia SP-225 durante meia hora em manifestação em frente da usina Agrest, antiga Sobar incorporada à falência da Petroforte. Houve congestionamento de mais de três quilômetros.

As Polícias Militar e Rodoviária Estadual montaram forte esquema de segurança, inclusive com uso do helicóptero. Não houve incidentes, mas motoristas reclamaram  de ter de aguardar a desobstrução da estrada.

O síndico da massa falida não aceitou o acordo firmado com os atuais gestores da destilaria que se comprometiam a pagar os débitos trabalhistas de cerca de 800 empregados nesta semana para preparar o encerramento das atividades da empresa para a venda da usina. Ele ajuizou um agravo de instrumento no Tribunal de Justiça (TJ), cuja liminar for deferida.

Na próxima terça-feira, nova manifestação está programada para ocorrer em São Paulo, com viagem de uma comitiva de trabalhadores e de lideranças políticas.

Com faixas de protestos e pedidos de ajuda, a manifestação contou com a presença dos trabalhadores, sindicalistas, vereadores da cidade e da região, do prefeito João Adirson Pacheco (PSDB) e do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB).

Para Tobias, o fechamento da usina é problema de sobrevivência de Espírito Santo do Turvo. “Não é só fechar o passivo trabalhista. É preciso encontrar solução para que a usina continue aberta com administração da massa falida ou do Banco Rural, a usina não pode fechar, porque gera dois mil empregos”, declarou.

Tobias disse que será necessário sensibilizar a Justiça para o problema social. “Pode ser que o desembargador fique irritado, mas não é problema político, é sobrevivência de duas mil pessoas na cidade”.

O tucano explica que é importante que a destilaria continue em atividade porque gera empregos e impostos. “Hoje escutei muito discurso cristão, de paz, nasci lá na terra de Jesus no Oriente, sem guerra às vezes não tem paz. Acho que a usina não é só o trabalhador, é a cidade toda, todo mundo vai ser prejudicado se for fechada”.

Segundo ele, se necessário os trabalhadores deverão ocupar a usina para buscar uma solução. “Acho que a população pode usar todos os meios, pode ser pacífico e não pacífico. Hoje pode ser pacífico, mas essa usina não pode parar”.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Álcool de Ipaussu, José Carlos, afirma que a suspensão do acordo vai prejudicar cerca de 800 trabalhadores, porque eles terão que se habilitar junto à massa falida para receber os créditos. Isso pode demorar até dois anos.

A Agrest foi criada pelo Banco Rural para gerir a destilaria desde 2003 após a crise financeira da Petroforte. Mas no processo de falência há questionamentos de que o ex-dono da Petroforte, Ari Natalino, teria tentando esconder a propriedade da usina Sobar. Ele é acusado de simular a dívida com a Rural Leasing, que teria confiscado a destilaria após a crise financeira por falta de pagamento. A usina teria sido transferida para a Turvo Participações, cujas empresas seriam offshore caribenhas. O processo de falência da massa falida está avaliado em cerca de R$ 700 milhões. O Banco Rural é uma instituição financeira conhecida no escândalo do “Mensalão” no primeiro mandato do presidente Lula.

O publicitário Marcos Valério utilizava a insituição bancária para irrigar o caixa de políticos governistas.

Ontem a reportagem não conseguiu localizar pelo telefone o síndico da massa falida, o advogado  Afonso Braga.

 

Sobar deve R$ 22 milhões há 12 anos a  trabalhadores rurais

Com a falência da usina Agrest (antiga Sobar), trabalhadores correm o risco novamente de ficar sem receber suas rescisões. O presidente do Sindicato dos Empregados Rurais de Duartina, Abel Barreto, lembrou ontem que cerca de mil trabalhadores rurais há 12 anos aguardam receber indenização trabalhista do período da antiga Sobar, antes do grupo Petroforte assumir a usina. A dívida está estimada em R$ 22 milhões. “Desde 1998 ninguém recebeu. Às vezes, a Justiça é muito mais no papel do que é aplicada para fazer valer os direitos dos trabalhadores.”

Barreto afirma que a dívida é da massa falida e não mais da Sobar e da Petroforte. “Acreditamos que a massa falida possa fazer dinheiro e pagar os nossos direitos”. O temor é de novamente os trabalhadores serem prejudicados com a falência.

Sandra Pereira Regina do Carmo trabalha no corte de cana. Ela entrou com ação trabalhista há 12 anos e não recebeu quando foi demitida na época pela antiga Sobar, após trabalhar um ano e meio na antiga empresa. “Não recebi até hoje, tenho esperança ainda de receber”.

Ela no momento trabalha na Agrest, mas pode ser demitida novamente com a incorporação da destilaria à massa falida. “Tenho medo de ser mandada embora e (da direção) não acertar (o pagamento do salário). Todo mundo tem medo”, conta.

O presidente da Câmara de Espírito Santo do Turvo, Geraldo Teixeira (PSD), afirmou que o fechamento da usina Agrest pode levar o município ao caos social. “A usina é a nossa subsistência, ela gera cerca 2 mil empregos diretos e indiretos. Pedimos a Deus que não deixem fechar a usina”. Durante a manifestação, ficou definido que, na terça-feira, um grupo de trabalhadores vai até a capital no Tribunal de Justiça para pedir a revogação da liminar que suspendeu o acordo.