Tripoli - Saif al Islam, 39 anos, o segundo filho do ex-ditador da Líbia Muammar Gaddafi e considerado seu herdeiro político, foi preso ontem no sul do país, próximo da fronteira com o Níger, de acordo com o ministro da Justiça, Mohammed al Alagy.
A captura de Saif teria ocorrido na cidade de Obari, a mais de 600 km ao sul de Tripoli. Ele foi levado para Zintan, sede de uma das maiores brigadas revolucionárias da Líbia.
Ele estaria tentando cruzar, com dois ajudantes, a fronteira com o Níger, onde sua família tinha muito apoio devido aos investimentos feitos no país e onde seu irmão Saadi recebeu asilo.
Imagens da TV líbia Al Ahrar mostram um homem preso muito parecido com Saif com curativos em três dos seus dedos -há algumas semanas especulou-se que ele perdeu uma das mãos em um ataque da Otan (aliança militar ocidental).
O paradeiro do filho de Gaddafi era desconhecido desde que os então insurgentes assumiram o controle de Tripoli, no final de agosto.
O TPI (Tribunal Penal Internacional) disse no final de outubro, pouco depois da morte do ex-ditador, que estava negociando, por meio de intermediário, a rendição de Saif, que foi acusado pelo assassinato e tortura praticados contra insurgentes na Líbia.
Bashir Thaelba, comandante da milícia que capturou Saif, disse que ele não será entregue à autoridade central enquanto o novo governo não for formado, o que deve ocorrer nesta semana.
Um representante do atual governo líbio disse que Saif vai ser julgado no país e não será enviado ao TPI, na Holanda. Uma porta-voz do TPI, Fadi El Abdallah, disse à emissora britânica BBC que a Líbia tem agora uma obrigação legal de entregá-lo ao tribunal internacional.
Herdeiro
A prisão de Saif era um dos principais objetivos dos ex-rebeldes líbios, já que ele era considerado o único dos filhos de Gaddafi que ainda poderia iniciar uma insurgência.
Durante muitos anos, ele foi visto não apenas como o herdeiro político do então ditador, como também trazia a promessa de modernizar o país, depois de estudar muito anos no exterior, fazendo mestrado e doutorado na London School of Economics.
Saif disputava o posto de herdeiro político com Mutassim, morto no mês passado.
No entanto, a imagem modernizante ruiu logo nos primeiros dias de protestos contra o regime, em fevereiro, quando prometeu “rios de sangue”, caso os manifestantes não recuassem e que esmagaria os “ratos”. “Lutaremos até o último homem, a última mulher, a última bala”, disse na época.