10 de julho de 2026
Geral

Entrevista da Semana: Aleksander Rodrigues de Oliveira Soares (Palhaço Faísca)

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 9 min

"Faísca que acende alegria"


Mesmo de "cara lavada", Aleksander Rodrigues de Oliveira Soares, o Palhaço Faísca, não perde o bom humor e o dom de fazer rir, características suas com ou sem maquiagem. "Sou o mesmo palhaço, vestido ou não como tal. Se alguém me chama de Aleksander na rua, eu paro e penso se realmente sou eu (risos). Não consigo mais sentir diferença entre a pintura ou a cara lavada", afirma.

Palhaço desde os 6 anos de idade e Faísca desde os 12 anos, Aleksander leva alegria por onde passa com seus shows infantis e musicais. Há sete anos apresentando programas infantis na TV, atualmente ele anima a criançada com o "Clubinho da Criança", da TV Preve. "Mas meus shows não tem apenas as crianças como público, não. Tenho boas histórias. Recentemente, fiz uma festa de aniversário para uma senhora de 90 anos de idade, em Dois Córregos. Era o sonho dela e todo mundo voltou a ser criança naquela festa. Ela dançava, cantava...Emocionante", lembra.

Aos 10 anos de idade, uma perda familiar quase tirou o menino Aleksander de seu destino: "Minha irmã me incentivava e me levava para todos os lados. Sua morte precoce foi um choque para toda a família". Cerca de dois anos após a morte da irmã, ele voltou a vestir a fantasia e fez nascer o Palhaço Faísca, que passou a levar alegria aos bairros da cidade com os projetos municipais "Manhã de Lazer, Tarde de Lazer e o Lazer na Praça".

Mas como palhaço também não vive só de alegrias, Faísca já até pensou em desistir de ser palhaço por falta de apoio, mas sempre muda de ideia e não se imagina em outra profissão. Paralelamente a arte de fazer rir, ele chegou a trabalhar em outras áreas: "As pessoas costumavam dizer que eu fazia "bicos" de palhaço, quando na verdade, para mim, os outros empregos é que sempre foram provisórios".

Casado e pai de uma filha, Faísca confessa que o que lhe faz rir é saber ser capaz de tirar a tristeza de crianças e levar, mesmo que por alguns instantes, adultos novamente à infância.

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Jornal da Cidade - E o palhaço, o que é que ele é?

Aleksander Rodrigues de Oliveira Soares (Faísca) - Não é ladrão de mulher (risos). É maravilhoso ser palhaço por ser uma figura símbolo da alegria. É impossível alguém ficar triste perto de um palhaço. Tem um filme dos "Trapalhões" em que o Didi tenta fazer uma criança sorrir de todas as formas e não consegue. De repente, ele começa a chorar por não conseguir e a criança começa a rir.

JC - O Faísca já deixou criança sem sorriso?

Faísca - Já, sim. Uma vez eu travei em uma festa infantil. Eu tinha o costume de levar balas nas festas de aniversário para presentear as crianças e, neste dia, eu estava com um saco enorme de balas e já cheguei entregando para o aniversariante. Ao presenciar a cena, a mãe do menino veio correndo e disse para eu não dar as balas porque ele tinha diabetes. Isso já faz muito tempo, mas o choque foi tão grande que eu não esqueço. Ele era tão novinho e eu fiquei paralisado. Depois não consegui me soltar e fazer o show direito.

JC - Quando nasceu o Faísca?

Faísca - A Prefeitura Municipal promovia um projeto por toda a cidade, era o "Manhã de Lazer, Tarde de Lazer e o Lazer na Praça". Na época, eu morava no núcleo Bauru 16 e dois meses antes do evento chegar lá, a organizadora avisou que aconteceria a festa. Ela me disse que sabia que eu já tinha feito palhaço e me perguntou se eu gostaria de me apresentar no evento. Isso eu tinha uns 12 anos de idade. Mas eu disse que havia parado já há algum tempo por causa da morte da minha irmão. Contudo, fui consultar a minha mãe que me deu forças para fazer e colocar meu sobrinho junto. Decidi montar um grupo, mas o difícil mesmo foi achar o nome. Para pensar sobre o assunto, eu e um amigo, Juliano, fomos andar pela linha do trem. Ele pensando que teria de bolar o seu nome, decidiu por "Bolada". Continuamos a andar, peguei uma pedra e a atirei nos trilhos. Foi quando saiu uma faísca e nasci como palhaço.

JC - Montou uma companhia de palhaços ao 12 anos de idade?

Faísca - Sim. Na época, era o Faísca, Bolada, Malandrinho, Tico-tico, e alguns dançarinos. Era um grupo grande em cima da carroceria de um caminhão da prefeitura, o "Faísca e Cia". Não tínhamos maquiagem e, por isso, usávamos pomada branca, que derretia e borrava muito facilmente. A roupa era horrível (risos). Até a Tânia, diretora municipal de lazer da época, ficou horrorizada com nossa aparência e não quis nossa apresentação, já que autoridades estariam presentes e tudo mais. Porém, houve um imprevisto, acabamos fazendo nossa apresentação, todos gostaram, inclusive o prefeito da época. Fomos contratados. Contudo, a Tânia disse que a primeira coisa que deveríamos fazer com o primeiro salário era comprar novas roupas (risos). Eu cantava muito as músicas de Atchim e Espirro. E foi assim que nasceu o Palhaço Faísca, quando eu tinha 12 anos de idade. Hoje a Tânia é minha empresária (risos).

JC - Mas você já era palhacinho antes disso?

Faísca - Comecei a fazer palhaço aos 6 anos de idade e foi o palhaço "Charutinho" quem me ensinou no circo Palco Livre. Eu queria saber como era um palhaço de verdade, sempre fui fascinado por palhaços e minha irmã me levou até o Charutinho que me ensinou por uns dois anos. Mas abandonei tudo quando minha irmã morreu.

JC - Foi o seu maior momento de tristeza?

Faísca - Foi. Ela me levava para todos os lados. Foi ela quem em levou para conhecer o Bozo, o Atchim e Espirro, e outros shows . Meu negócio era assistir essas coisas e ela sempre me levava e incentivava. O sonho dela era ser artista, até passou em um teste ao lado do Edson Celulari, mas meu pai não permitiu que ela fosse para São Paulo. Mais tarde, depois de casada e mãe de dois filhos, ela morreu aos 23 anos por causa de um câncer. Foi uma imensa tristeza para toda a família. Nessa época parei com tudo, fiquei desanimado. Minha mãe sofreu muito e o trauma deixou até sequelas físicas nela. Aí voltei mais tarde com a "Manhã de Lazer". Ainda hoje, com mais de 20 anos de profissão, lembro-me da minha irmã quando vejo o Faísca acontecendo.

JC - Você tem um "espelho" nesse meio?

Faísca - O palhaço Espirro. Eu costumo dizer que ele é um segundo pai para mim. Nos falamos sempre, inclusive ele me deu autorização para cantar as músicas de sua autoria. Faço shows com ele em São Paulo...

JC - E o que tira gargalhadas do Faísca?

Faísca - Saber que cada vez que coloco minha roupa de palhaço, eu sou capaz de tirar a tristeza de crianças e adultos. Eu sei que quando eu entro, posso fazer a tristeza dos pequenos ir embora e posso fazer com que os adultos esqueçam das contas, dos percalços do cotidiano e voltem a ser crianças naqueles instantes. Recentemente, fiz uma festa de 90 anos de idade, em Dois Córregos. Já fiz até festas de bodas, mas aquela foi sem igual. Era o sonho dela e todo mundo voltou a ser criança naquela festa. Ela dançava, cantava... Emocionante.

JC - Em cartaz nos cinemas está com o longa nacional "O Palhaço", onde o personagem principal, interpretado por Selton Mello, vive uma crise de identidade e abandona a profissão momentaneamente. Em algum momento você pensou em desistir de ser palhaço?

Faísca - Primeiro quando ainda era criança, pela morte de minha irmã. Depois, pensei em desistir por falta de apoio. Você querer fazer e não ter oportunidade é algo extremamente desestimulante. Já passei por muito disso. Mas, quando eu falo que vou parar é da boca para fora. Fico muito triste e deprimido. Choro, mas continuo. Paralelamente à profissão de palhaço, já trabalhei em uma farmácia. Era uma correria. Entre um show e outro, eu passava no banco para fazer depósitos (risos). Até que a farmácia fechou. Depois trabalhei em uma editora de livro, alguns bingos da cidade e região e em uma empresa de ônibus. As pessoas costumavam dizer que eu fazia "bicos" de palhaço, quando na verdade, para mim, os outros empregos é que sempre foram "bicos" (risos). Nunca me vi como outro profissional.

JC - Como surgiu a ideia do "Clubinho da Criança"?

Faísca - Estou na televisão já há sete anos. Há alguns anos, os palhaços desapareceram da TV. Eu tinha a ideia do projeto e alguns amigos me falaram da TVCOM Bauru. Levei meu projeto até o responsável pela TV e ele gostou muito da ideia do "Faísca Show", que ficou no ar durante quatro anos. Depois, recebi o convite para fazer o "Clubinho da Criança", no ar já há dois anos na TV Preve. Aqui em Bauru havia um programa de rádio apresentado na Bandeirantes pelo Tio Pedroso, o Clubinho da Criança. Nos fins de semana, ele gravava o programa nas cidades da região. Daí veio o nome, Tio Pedroso me presenteou. O programa resgata a figura do palhaço, que acredito estar voltando com força, com muito riso e brincadeiras. Ele vai ao ar todos os sábados às 10h e 14h30 e, aos domingos e quartas, às 14h30. É uma produção independente e difícil de tocar. Mesmo com a ajuda da TV, faltam recursos para o cenário ficar do jeito que eu quero, para eu lançar um CD...

JC - É possível sobreviver sendo palhaço, hoje?

Faísca - Eu consigo, graças a Deus. Entre os projetos que já participei, fui o primeiro palhaço do Recreança, fiz "Festança do Arraiá" para 20 mil crianças, trabalho no aniversário de Bauru, nas festas do Viva Bauru, na Casinha do Papai Noel da Praça Portugal...Além de animar festas e fazer musicais infantis com minha empresa "Faísca Show & Eventos". Minha esposa e minha filha me ajudam.

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Perfil


Nome: Aleksander Rodrigues de Oliveira Soares (Palhaço Faísca)

Idade: 33 anos

Local de Nascimento: Bauru

Signo: Virgem

Esposa: Andréa

Filhos: Isabella

Hobby: Fazer shows

Livro de cabeceira: "Pássaro contra a vidraça"

Filme preferido: "O segredo"

Estilo musical predileto: Música sertaneja

Time: Corinthians

Para quem dá nota 10: Para a alegria do nascimento da minha filha

Para quem dá nota 0: Para o sentimento que predominou quando minha irmã faleceu

E-mail: faisca.show@hotmail.com