Presidente Prudente - Depois que as carretas grandes, de seis a nove eixos, passaram a trafegar pela Rodovia Prefeito Homero Severo Lins (SP-284), fugindo do pedágio na Rodovia Raposo Tavares, os acidentes cresceram cerca de 500% em 2010 em comparação com 2009.
“É um horror, aumentou em torno de 500% a taxa de acidentes. Os acidentes aumentaram numa quantidade tão grande que o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) tirou essa informação de seu site. Carretas passaram por cima de carros durante as obras de recapeamento. Temos dificuldades de fazer o levantamento nos hospitais, mas morreu muita gente depois que as carretas, com até 74 toneladas, passaram a usar a rodovia para não pagar pedágio na Raposo Tavares”, lamentou o jornalista Ulisses de Souza, assessor de imprensa da Frente Popular de Rancharia, uma entidade que representa todos os moradores de Rancharia e da região.
Para diminuir os acidentes, a entidade exige a proibição imediata do tráfego de caminhões pesados, fiscalização e melhorias na Rodovia Prefeito Homero Severo Lins. A estrada não tem balança e foi bloqueada duas vezes em outubro.
O aumento de acidentes foi confirmado pela Polícia Rodoviária de Presidente Prudente. “A estrada é perigosa e cheia de buracos, com certeza os acidentes aumentaram, a gente vê que aumentou, não é uma rodovia “calma”, resumiu um guarda rodoviário que pediu anonimato.
Para não pagar pedágio nas três praças da Rodovia Raposo Tavares, no trecho de 128 quilômetros entre Presidente Prudente e Assis, caminhoneiros que vêm do norte do País e do Paraná, estão usando a SP-284.
“Uma carreta de nove eixos paga hoje R$ 260,00, ida e volta, entre Presidente Prudente e Assis”, explicou Souza.
Até o começo do ano passado, o volume diário de veículos era baixo. “O volume de trânsito era de três mil veículos.
A partir de 2010, quando o governo instalou os três pedágios, houve uma fuga de 5,5 mil veículos diários, como atesta a Cart (empresa que administra a Raposo no trecho)”, contou. Segundo ele, a maioria desses 5,5 mil veículos é formada por carretas articuladas (bitrem, tritrem, rodotrem e treminhão).
Uma estrada de pista simples não suporta esse tipo de trânsito, segundo o assessor, explicando que “a portaria 12 do DER proíbe carretas grandes em pistas simples”.