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Milhares de notas de real espalhadas pela rua. Foi essa a impressionante cena que algumas pessoas testemunharam ontem, na zona sul de Bauru, após o roubo de um malote. As vítimas, duas mulheres que transportavam o dinheiro do cinema do Bauru Shopping, foram derrubadas da moto em que estavam e o montante acabou caindo. Além dos bandidos que conseguiram levar parte da quantia, um homem aderiu ao adágio “a ocasião faz o ladrão” e também pegou algumas notas (leia mais abaixo).
O assalto ocorreu por volta das 15h na rua Henrique Savi, próximo ao cruzamento com a Eduardo Vergueiro de Lorena. Segundo a Polícia Militar (PM), as vítimas - cujos nomes não foram divulgados - transportavam o malote da empresa em que trabalham até uma agência bancária para realizar o depósito.
A reportagem apurou que as duas mulheres eram funcionárias do cinema do Bauru Shopping e carregavam R$ 82 mil. O dinheiro seria parte do faturamento do fim de semana, que, por conta da estreia do filme “Amanhecer”, da série “Crepúsculo”, foi maior que o normal.
A poucas quadras de distância do shopping, as vítimas, que estavam em uma moto, foram abordadas por um dupla, também em uma motocicleta. Sem visualizar qualquer arma, as mulheres relataram à polícia não terem percebido que se tratava de um roubo e, por isso, não pararam. Assim, os bandidos acabaram colidindo as motos e todos foram ao chão.
Segundo testemunhas, o cenário que se criou foi “de cinema”. “Todos caíram e se formou uma ‘chuva de dinheiro’. Uma das vítimas tentou segurar o malote, porém, começou a ser agredida pelos bandidos”, conta um homem, que pediu para ter a identidade preservada.
Mesmo com o acidente, os assaltantes ainda conseguiram levar R$ 14 mil. Algumas pessoas contaram que, durante o roubo, um dos criminosos chamou o outro de “Beto”.
Feridas, as duas mulheres foram socorridas por quem passava pela rua. Alguns auxiliaram a recolher a grande quantia esparramada. Felizmente, as vítimas tiveram apenas escoriações leves.
A quantia do malote era tão vultosa que, antes mesmo do socorro médico e do registro do boletim de ocorrência (BO), a PM conduziu as vítimas para depositar o dinheiro “salvo”.
“Não queremos ficar circulando com toda essa quantia e nem que elas fiquem esperando com esse dinheiro no Plantão (da Polícia Civil). Por isso, iremos conduzi-las até a agência bancária para que o dinheiro seja depositado”, explicou o comandante da 1.º Companhia de PM de Bauru, capitão Paulo César Valentim.
‘Fita dada’
Como o modo de ação dos assaltantes demonstrou que eles conheciam detalhes da rotina das vítimas, a polícia suspeita que a ação criminosa foi realizada com base em informações privilegiadas, a famosa “fita dada”.
“Não é possível afirmar com certeza se foi isso. Mas, além de os assaltantes saberem que as vítimas estavam com a grande quantia, eles sabiam até o ponto de abordagem para traçar uma rota de fuga”, explica o capitão Valentim.
No local, amigos das vítimas sustentavam a mesma suspeita. Alguns chegaram a revelar que, meses atrás, outra grande quantia havia sido levada da mesma empresa.
A assessoria de comunicação do Bauru Shopping informou que não responde pelo cinema. A reportagem tentou contato pelo telefone da empresa, porém, não conseguiu falar com nenhum dos responsáveis.
Transporte seguro
O transporte de grandes quantias é sempre visto de forma preocupante pela Polícia Militar (PM). O comandante da 1.º Companhia de PM de Bauru, capitão Paulo César Valentim, alerta que esse tipo de serviço deve ser realizado por profissionais.
“As empresas precisam contratar empresas de transporte de valores que são equipadas e especializadas para realizar esse serviço”, aconselha.
O capitão ainda explica que, dependendo da quantia, as empresas podem até mesmo conseguir o auxílio da própria polícia. “Não é sempre, mas a PM também pode ajudar nesses transportes. As empresas podem nos solicitar e veremos o que pode ser feito. Mas o importante é que não façam esse transporte sozinhas”, completa o comandante Paulo César Valentim.
‘Ocasião faz o ladrão’
Logo que o crime ocorreu, os bandidos pegaram o que conseguiram e fugiram. Com as duas vítimas feridas, muitas pessoas que passavam pelo local pararam para ajudá-las. Entretanto, a cena não atraiu apenas pessoas bem intencionadas. Segundo informações da polícia, um homem que passava pelo local do roubo pegou algumas notas e fugiu.
Com os bolsos “recheados”, ele teria corrido e entrado em um prédio nas proximidades de onde o crime ocorreu. Apesar de a polícia ter apurado que o homem morava naquele local, até o fechamento desta edição ele não havia sido identificado.