Aceitar o novo, o diferente, o inusitado, que agride nosso senso de cultura ocidental, só é possível quando nos abrimos ao conhecimento e a partir deste momento tiramos a venda que nos cega diante do desafio que é aceitar o outro. O outro, outra cultura, outros hábitos, outros seres humanos que acham tão absurdo digerirmos um belo filé de picanha, quanto nós achamos horripilante um suculento bife de cachorro ou ainda pensamos ser surreal uma vaca ser divina, nos achamos corretos em tudo desde o modo de agir, pensar, fazer e excluir, nossa cultura é o exemplo da evolução da humanidade.
Grande engano, pois o que é nossa história diante de civilizações milenares que resistiram ao tempo e a imposições culturais.
O que nos faz pensar que o povo indiano, etíope ou aborígene é menos evoluído que nós é a incapacidade de nos deixarmos absorver por culturas e povos tão ricos e sublimes em sua essência quanto achamos que somos. Nosso etnocentrismo nos leva a acreditar que somos os escolhidos da raça humana.
Sociologicamente, a exclusão étnica e social tem sido na história humana a grande ferramenta para esculpir sociedades etnocêntricas, egoístas e preconceituosas só dando lugar ou cedendo às pressões sociais quando em troca se tem o sistema de consumo de massas implementado.
No mundo árabe, as cervejarias não têm futuro, afinal, em absoluta maioria, a população islâmica e muçulmana não bebe álcool e este é apenas um exemplo. O outro está ao seu lado, te pediu esmola no trânsito, te pediu desculpas pela cor da pele, lhe rogou perdão por ter errado. Aceite o outro, é teu irmão.
Alex Gasparini - Ramallah, 19 de novembro de 2011