09 de julho de 2026
Internacional

Militares antecipam eleição no Egito

Folhapress
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Cairo - Pressionado, o líder da junta militar que governa o Egito, marechal Hussein Tantawi, 76 anos, fez promessas de redemocratização em comunicado transmitido ontem por redes de TV. Mas as concessões só intensificaram os protestos violentos que agitam o Cairo há quatro dias. “As Forças Armadas, representadas pelo Conselho Supremo, não aspiram a governar e colocam o supremo interesse do país acima de todas as considerações”, disse.

As primeiras promessas feitas ontem aos manifestantes foram a realização de eleições presidenciais até o final de junho de 2012 e a posse do mandatário no mês seguinte.

Até então, a junta militar, que assumiu o poder após a queda do ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro, dizia de forma vaga que o pleito ocorreria no final no ano que vem ou início de 2013.

Tantawi disse ainda que as eleições parlamentares marcadas para a próxima segunda-feira - as primeiras após a ditadura de Mubarak - serão realizadas normalmente. O militar também afirmou que a junta está preparada para realizar um plebiscito para verificar se a população deseja que o poder seja imediatamente transferido para uma autoridade civil.

Ele afirmou que o Exército está “pronto para entregar a responsabilidade (pelo governo) imediatamente e retornar para a sua função de proteger o país, se a nação quiser”. Contudo, Tantawi não deu detalhes de como e quando isso aconteceria.

Dezenas de milhares de manifestantes que ocupam a praça Tahrir, símbolo da Primavera Árabe no Egito, responderam ao comunicado com gritos de “saia, saia” - o mesmo entoado na praça nos dias que antecederam a queda de Mubarak.

A violência na Tahrir começou no sábado quando forças de segurança tentaram retirar à força manifestantes que protestavam contra uma carta de princípios para a nova Constituição - elaborada pela junta - que dá poder quase ilimitado aos militares.

Os protestos se espalharam para cidades como Alexandria e Ismailia. Ao menos 29 pessoas morreram nos choques - a maioria no Cairo - e mais de 1.750 foram feridas.  Os choques mais intensos entre manifestantes, policiais e militares de anteontem ocorreram na rua Mohammad Mahmud, a via que liga a praça Tahrir ao edifício do Ministério do Interior - principal alvo dos protestos.

Tantawi também disse ter aceitado os pedidos de renúncia do ex-premiê Essam Sharaf e de seu gabinete -que colocaram seus cargos à disposição dos militares anteontem numa tentativa de acalmar a população.

O marechal afirmou que a junta militar pretende substituí-los por um governo de “salvação nacional” que vigoraria até a posse do novo presidente em 2012. A concessão não atende porém ao desejo dos manifestantes, que lutam pela transferência imediata do poder para um governo não subordinado aos militares.

O governo dos EUA voltou a condenar a repressão a manifestantes no Egito. “Desejamos a nomeação de um novo governo no Egito. A primeira responsabilidade desse governo será garantir eleições livres e justas”, disse a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland.