Em breve, a indústria metalúrgica poderá contar com um equipamento inovador desenvolvido por alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Bauru. Trata-se de uma morsa que, de maneira inédita, pode ser controlada eletronicamente. Com a precisão do ajuste computadorizado, atestam os idealizadores, a máquina consegue prender ou apertar peças sem deformá-las ou deixá-las escapar, o que garante maior qualidade e segurança no trabalho realizado.
A invenção, que já está em processo de patenteamento, garantiu neste mês o 1º lugar na categoria design da 7º edição do Inova, evento que reúne todas as unidades do Senai para premiar criações ou aperfeiçoamentos de máquinas já existentes. O troféu foi o primeiro conquistado pela instituição em Bauru.
Os autores do protótipo, Anderson Souza Pires, 18 anos, Bruno Luiz Vasquez, 17 anos e Daniel Augusto Santos, 17 anos, formaram-se recentemente no curso de mecânica de usinagem e contam que a ideia para desenvolver a máquina surgiu em razão das dificuldades que eles próprios enfrentaram durante as aulas. "Às vezes, um colega prendia uma peça na morsa manual e a peça escapava, com risco de acertar alguém. Ou então, se apertava demais, amassava a peça e o produto final não ficava bom. Com a tecnologia que desenvolvemos, tudo isso foi superado", revela Daniel.
Com a proposta de criar um equipamento mais eficiente, contaram com a supervisão do professor Osmar Souza Boico e iniciaram as pesquisas, que demandaram muitas noites em claro, dezenas de cálculos, pesquisas e até algumas brigas. "Por duas ou três vezes, achamos que o projeto não daria certo. A engenharia da morsa envolve muitas variáveis, todos os detalhes dela têm um porquê de ser. Até chegar a um consenso sobre tudo, as discussões eram inevitáveis. Mas faz parte", comenta Anderson.
Feita em aço e com cerca de 30 quilos, a morsa foi concebida especialmente para a participação no Inova, evento realizado de 7 a 10 de novembro no Centro de Convenções Anhembi, em São Paulo. Embora tenham desacreditado do sucesso do protótipo em alguns momentos ao longo da fase de idealização, que durou cerca de seis meses, a confiança dos estudantes se tornou inabalável quando a máquina ficou realmente pronta.
"Quando chegamos no evento, vimos que tinham muitos projetos bons e ficamos um pouco apreensivos, mas sempre acreditamos que daria para ganhar, porque sabíamos que tínhamos feito um bom trabalho", relembra Bruno.
Produção em escala
Durante o processo de avaliação, o equipamento foi submetido a uma série de análises técnicas, em diversos critérios e por diferentes especialistas do ramo de usinagem, incluindo empresários e acadêmicos de cursos superiores. Junto com o projeto, outros 100 concorreram na mesma categoria, entre eles protótipos desenvolvidos somente por professores das unidades do Senai. "E nós, que éramos penas alunos, conseguimos ganhar. Foi uma experiência única", comemora Daniel.
De acordo com o professor orientador Osmar Boico, após a nova morsa ser patenteada, o equipamento poderá ser produzido em escala industrial. "Como o Senai é financiado pela indústria, não pode concorrer diretamente com o setor, então os alunos é que terão de correr atrás de empresas interessadas em comprar a ideia. Mas iremos orientar sobre os caminhos a seguir", pontua.
Embora a possibilidade de ganhar dinheiro com a morsa seja considerada pelos estudantes, os amigos entendem que o projeto já lhes ofereceu o que poderia ser mais valioso: o reconhecimento e o incentivo para que continuem investindo na área pela qual são apaixonados. Os três, inclusive, estão prestando vestibular para o curso de engenharia mecatrônica e aguardam o resultado das provas para continuar trilhando uma carreira que tem tudo para ser bem sucedida.