11 de julho de 2026
Turismo

São Pedro: Antiga fazenda virou hotel

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 4 min

A terra arenosa de São Pedro nunca foi boa para agricultura. A família de Sergio Passos comprou a Fazenda São João em 1967. Inicialmente criava gado em oito alqueires.

A sede ficava bem próxima da cidade. Com as dificuldades de emplacar no setor rural, em 1977 a família apostou no turismo rural.

Essa modalidade ainda estava engatinhando no País. Na cidade vizinha, de Águas de São Pedro, o turismo viabilizou, principalmente pela qualidade da água hidromineral.

Parte dos oito alqueireres foi negociada para loteamento e 130 mil metros quadrados ficaram reservados para abrigar o complexo hoteleiro. Foi um momento de expansão do município.

O restante virou o Hotel Fazenda São João, com piscina e chalés. O símbolo é a cabeça de um gado estilizada. O objetivo é o de realçar o clima regional e caipira. Afinal, São Pedro está a 180 quilômetros de São Paulo.

O clima bucólico e ameno atraem muito o paulistano, mas a retomada da economia também está trazendo o turismo regional num raio de 160 quilômetros.

"Cidades como Bauru, Ribeirão Preto e São Carlos cresceram. Há um movimento grande de famílias que vêm passar dois a três dias. Percebemos esse tipo de turismo em expansão", conta Sergio Passos.

Embora ainda falte um marketing mais forte no município, São Pedro fica próximo de Brotas, cidade que se transformou na vedete do turismo de aventura e conhecida nacionalmente.

As belezas de São Pedro são praticamente semelhantes ao do município vizinho. Há várias opções para conhecer cachoeiras, descer o rio Jacaré-Pepira, passando por botes infláveis para até sete pessoas. Há uma estrada que faz a ligação com Brotas. A hotelaria de São Pedro é muito boa.

Do wafle da Dona Zulmira ao "Mané pelado"


Não é só de encher os olhos as paisagens montanhosas. Em São Pedro, é possível comer bem, experimentar petiscos deliciosos e, para quem gosta, degustar aguardente de primeira.

O passeio pela culinária começa já no café da manhã do Hotel Fazenda São João. O desjejum é reforçado com frutas, leite, pão e wafle ? uma massa deliciosa cremosa recoberta com chocolate ou de frutas. Esse tipo de doce é muito conhecido em biscoitos.

Wafle ou Waffle (também chamado gofre ou goffre, do francês gaufre, em Portugal) é de origem belga, que consiste em uma massa de farinha e ovos prensada em um ferro que imprime texturas sobre a massa.

Segundo a wikipédia, a massa tem origem na Idade Média, quando era usado nas igrejas como hóstia. Normalmente, a imagem impressa era algum brasão ou figura relacionada ao Cristianismo. Em países como o Brasil, é comum a produção e o consumo dos biscoitos inspirados no wafle original.

Dona Zulmira Maria de Assis, uma senhora de 74 anos, prepara a delícia na hora há 34 anos no hotel fazenda São João.

A iguaria é feita de farinha de trigo, polvilho, leite e o "toque" especial, que só a cozinheira sabe como deixar o produto diferenciado.

Com a colher na mão, dona Zulmira conta que para ficar diferente o chocolate tem de ser amargo e salpicar creme de leite para não endurecer a massa. Quem saboreia um wafle fica com o estômago cheio a manhã inteira.

"Mané pelado" e cuscuz


São Pedro é uma cidade que não dá para fazer regime, tamanha as tentações culinárias. No Rancho da Tirolesa, ao pé da Serra do Itaqueri, a culinária artesanal da fazenda, com pão de linguiça caseira especial, frango a passarinho e porções de cuscuz mole são especialidades da casa.

O "Mané Pelado" já chama a atenção pelo nome excêntrico. É um doce feito de mandioca com coco, farinha de trigo e queijo. Custa R$ 3,00. Impossível comer um só.

Ana Cláudia Passos conta que o "Mané Pelado" é a especialidade da casa. Quem vai ao Rancho da Tirolesa tem que degustar a iguaria, antes ou depois de descer pela tirolesa. "Esse doce tem muito aqui na região. Decidimos resgatar essa culinária rural", explica Ana.

Já no Restaurante Mirante do Cristo a culinária é diferenciada, principalmente devido aos festivais de grelhados aos sábados e massas aos domingos.

Diversos doces caseiros também fazem parte do cardápio, tais como os doces de leite e de abóbora, entre outros.

A Cachaça da Diretoria é produiza a 1.100 metros de altitude. No subsolo passa o Aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água que corta o Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.

A bela paisagem influi no processo da famosa aguardente, juram os são-pedrenses. Folclore ou não, a pinga artesanal demora para ficar pronta e depois ainda é armazenada em tonéis. Quem experimenta do "néctar" garante que é bebida da boa.