11 de julho de 2026
Polícia

Polícia esclarece fraude de R$ 5 mi em veículos financiados

Por Tânia Morbi
Atualizada às 19h<
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| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

A DIG recolheu uma grande quantidade de documentos com quatro suspeitos

A Polícia Civil, através da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), desmontou, em Bauru, um possível esquema de falsificação de financiamento de veículos que teria causado no prejuízo de no mínimo R$ 5 milhões a bancos e financiadoras.

O esquema consistia em usar cópias de documentos verdadeiros, com “máscaras” (dados manipulados e falsos), nos nomes dos titulares, para aprovação de financiamentos de veículos. Também eram “mascarados” comprovantes de residência e de rendimentos, necessários para obtenção dos financiamentos.

Em apenas uma revenda de automóveis em Bauru, de 46 contratos de financiamentos de veículos, a polícia identificou 43 falsificações. Apenas o banco Pan Americano teve prejuízo de R$ 1 milhão. Mas, a estimativa é que o esquema tenha causado prejuízo de mais de R$ 5 considerando outros bancos que também foram identificados pela polícia como concedentes dos financiamentos falsos.

A DIG identificou a participação de representantes de bancos, corretores e proprietários de revendedoras de veículos. Quatro pessoas foram ouvidas nesta quinta-feira, depois que policiais cumpriram mandados de busca.

Na casa do corretor Alessandro Canto Pereira, na rua Doutor Paulo Valle, no Jardim América, foi apreendida grande quantidade de documentos que comprovam o esquema. De acordo com o delegado Cledson Luiz do Nascimento, da DIG, ele responderá em liberdade por ter confessado o crime. Pereira era responsável pela apresentação das propostas de financiamento junto às instituições.

Também foram ouvidos ontem e são investigados o revendedor Luiz Carlos Grandi Netti, proprietário de uma revenda de veículos na avenida Castelo Branco, onde grande quantidade de financiamentos falso foi localizada, e os sócios da então filial do Pan Americano Granncred Promotora de Crédito Ltda., responsável pelo encaminhamento dos pedidos de financiamento, Giovani Granna e Oswaldo Amâncio Filho. A empresa já foi descredenciada do Pan Americano, de acordo com o delegado. O gerente da Granncred, Manoel Flávio Marini Teixeira, também é investigado por participação no esquema.

“O esquema envolvida desde a oferta do veículo, a montagem dos documentos à aprovação do financiamento. O prejuízo é todo dos bancos porque essas parcelas nunca seriam pagas”, afirmou o delegado.

Além da participação da revenda de Bauru, o esquema pode ter envolvido outras revendedoras de veículos, nesse caso, sem o conhecimento dos proprietários. Para isso, os fraudadores agiram de forma pulverizada, com número menor de financiamentos aprovados em casa uma.

 

Investigação começou em abril

As investigações que resultaram no esclarecimento do esquema fraudulento de financiamentos de veículos começaram em abril, depois que criminosos abandonaram um veículo, depois de um roubo frustrado a uma residência em Bauru.

Para chegar aos autores da tentativa, os policiais rastrearam o proprietário do veículo, que inicialmente aparentava ser um morador de Lins. Ao checar, a pessoa informou que nunca havia feito financiamento do carro.

Depois a polícia seguiu nas investigações, tentando identificar onde o carro havia sido financiado e descobriu que ele havia sido vendido pela revendedora de Luiz Carlos Grandi Netti, ouvido pela polícia.

No curso da investigação, a equipe da DIG conseguiu identificar os autores do roubo, todos foragidos da cadeia e ligados à maior organização criminosa do país. Durante as prisões, todos usavam carros financiados irregularmente, em nome de terceiros, cujos endereços dos titulares não condiziam com endereços apresentados no financiamento. Com os bandidos foram apreendidos um Fiesta, uma Meriva e um Gol.

Como grande parte era financiada pelo banco Pan Americano, a polícia requisitou documentos referentes aos contratos. Depois de uma sindicância interna, há dois meses o banco entregou 58 contratos com irregularidades. Os processos foram apresentados e aprovados entre dezembro de 2010 a junho de 2011.

 

Abasteciam crime organizado

Os veículos financiados de maneira fraudulenta, de acordo com o delegado, abasteciam o crime organizado. O início da investigação mostrou que os carros sempre eram destinados a desmanches, em troca de droga na Bolívia ou Paraguai, ou ainda em ações criminosas internas. “Carros iam parar nas mãos de criminosos ligados ao crime organizado. Não era preciso roubar carros, se consegue um carro sem restrição. Depois que o banco deixar de receber a terceira ou quarta parcela, aí ele vai entrar com uma ação. Primeiramente vai tentar localizar o financiado, mas não vai localizar porque ele é falso, aí vai pedir busca e apreensão, mas quanto tempo vai levar enquanto o criminoso está rodando com esse carro tranquilamente sem restrição”, considerou o delegado.

 

5º acusado é preso durante averiguações

Um quinto homem foi conduzido por uma equipe da DIG, durante as buscas de ontem. Carlos Sebastião Cruz Oliveira estava no Jardim América.

A polícia identificou que Oliveira já havia sido preso, no ano passado, em Lençóis Paulista, acusado de estelionato. O homem foi flagrado em uma concessionária na cidade tentando aplicar o mesmo golpe esclarecido pela polícia de Bauru, o uso de documentos falsos para obtenção de veículo financiado.

Leia mais na edição de amanhã (25) do Jornal da Cidade.