09 de julho de 2026
Internacional

Egito: aliado de ex-ditador será premiê

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Cairo - A nomeação pela junta militar que controla o Egito de um ex-aliado do ditador Hosni Mubarak como premiê interino promete elevar novamente as tensões na praça Tahrir, no Cairo. Segundo a mídia estatal, Kamal Ganzouri, 78 anos, aceitou convite para ser o chefe do novo gabinete egípcio, que substituirá o que renunciou na terça-feira, após a escalada de protestos que já deixaram ao menos 38 mortos.

Premiê de Mubarak entre 1996 e 1999 e acusado de fazer parte do círculo de poder e corrupção da ditadura deposta em fevereiro, Ganzouri está longe de ser a face de renovação que os manifestantes esperavam.

Ao mesmo tempo, a junta fez ontem um pedido de desculpas pela violência da polícia, tentando acalmar a fúria que voltou a tomar conta da praça. Uma megamanifestação está sendo esperada para hoje no local. Opositores ambicionam reunir 1 milhão de pessoas, a fim de dar um sinal inequívoco da insatisfação popular com a demora na transferência de poder.

Ainda ocupada por milhares de pessoas, a praça Tahrir viveu ontem um dia de relativa calma, depois de cinco dias de intensos confrontos. Em um raro gesto de apaziguamento, a junta militar lamentou a violência. “O Conselho Supremo das Forças Armadas apresenta seu pesar e profundas desculpas pelas mortes de mártires, filhos leais do Egito”, afirmaram dois generais em mensagem no Facebook.

Apesar do pedido de desculpas, o comando militar deixou claro que não pretende deixar imediatamente o poder, frustrando a demanda central dos manifestantes.

Em uma entrevista coletiva no Cairo, os generais desprezaram os gritos de protesto, afirmando que deixar o poder seria “trair a confiança depositada pelo povo”. “Não vamos deixar o poder por causa de uma multidão que grita slogans”, disse o general Mukhtar el-Mallah, colocando a junta em posição de vítima. “Estar no poder não é nenhuma bênção. É uma maldição e uma responsabilidade pesada.”

Apesar da instabilidade e do clima de caos instalado no centro do Cairo, os generais confirmaram que a eleição parlamentar marcada para ter início na segunda-feira não será adiada.

Se os militares se negam a deixar o poder, os manifestantes não mostram intenção de deixar a praça. “Conhecemos todos os truques”, afirma o estudante Mohmaed Soubeh, 23 anos. “Ficaremos até os militares nos devolverem a revolução.”

 

Jornalistas denunciam abuso

Cairo - As jornalistas Mona al Tahawy, de nacionalidade americana-egípcia, e Caroline Sinz (francesa) afirmaram ter sido vítimas de agressões sexuais enquanto cobriam manifestações contra o governo egípcio no Cairo. Tahawy disse ter sido abusada por policiais. “Além de me baterem, os cachorros (policiais) me submeteram à pior das agressões sexuais”, escreveu no Twitter. Sinz disse que foi atacada por uma multidão de homens não identificados.