09 de julho de 2026
Regional

Acusado, ex-secretário desaparece

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 2 min

Marília - Polícia Federal (PF) e Ministério Público Estadual, através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagraram ontem operação policial intitulada “Dízimo”, e que tem como alvo principal o ex-chefe de Gabinete e ex-secretário da Fazenda de Marília da atual gestão Nelson Virgílio Grancieri, considerado o “braço direito” do prefeito Mário Bulgarelli (PDT).

Ao todo nove mandados de busca e apreensão na cidade de Marília (a 100 quilômetros de Bauru) e um mandado em Bauru foram cumpridos. Conforme informou o delegado da Polícia Federal de Marília, José Navas Junior, o mandado de prisão de Grancieri foi solicitado, mas negado pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Marília, José Roberto Nogueira. Ainda de acordo com Navas, informações sigilosas sobre a ação de ontem vazaram possibilitando a possível fuga do acusado. “Não podemos dizer que o Nélson é foragido, pois não foi confirmado o mandado de prisão. Porém, como a informação vazou, não apenas ele com sua esposa (Adriana Grancieri), mas também alguns documentos podem ter sido eliminados antes da Operação deflagrada”, diz.

Foram cumpridos ontem mandados de busca nas casas de Grancieri e de seu assessor, André Felizario Jaciento, na clínica de estética particular de sua esposa, em três agências de publicidade, na sede e na casa do proprietário do jornal semanal Atualidades – investigado por ser pago com dinheiro público -, e no próprio gabinete da Prefeitura de Marília.

Mais de 40 policiais estiveram envolvidos na Operação coordenada pelo delegado da PF Sandro Roberto Viana dos Santos, que coletou uma série de elementos (documentos, mídias e computadores) para comprovação das atividades do ex-secretário referente aos crimes de concussão, corrupção, lavagem de dinheiro e coação de testemunhas ao longo de sua atuação no Poder Executivo. “Temos provas suficientes e agora vamos iniciar o trabalho para ligar uma prova a outra e concluir a investigação”, afirmou Santos em entrevista coletiva ontem na sede da PF em Marília.


“Cobrador de dízimos”

Intitulada como “Dízimo”, a operação de ontem remete ao suposto esquema de cobrança de propina e lavagem de dinheiro na prefeitura que é alvo de investigações desde 2009. Nelson Grancieri, conhecido na cidade como “Nelsinho”, foi afastado judicialmente das funções que acumulava no mandato de Mário Bulgarelli – de chefe de Gabinete e secretário da Fazenda - no mês passado a partir de ação civil pública por improbidade administrativa movida contra ele e seu assessor direto, André Felizario Jaciento – que também não foi encontrado ontem. Os dois são acusados de gerenciar suposta cobrança de propina a fornecedores da Prefeitura de Marília para a liberação de pagamentos. O “start” para a operação policial foi a denúncia feita pelo dono de uma construtora sobre o esquema. Este teria, inclusive, entregue à Justiça comprovantes de depósitos bancários feitos para beneficiar o ex-secretário e sua mulher.