08 de julho de 2026
Polícia

Mistério cerca morte de adolescente

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

A tragédia da morte do adolescente Cristian Daniel Goulart dos Santos, 16 anos, que comoveu e revoltou o Jardim TV e o Jardim Marília ontem, conforme mostrou durante todo o dia o site do JC (www.jcnet.com.br), é um caso envolto em dúvidas, que requer apuração pelas autoridades. Este era o sentimento de amigos e pessoas próximas com quem o JC conversou ontem, embora a família ainda não tenha acionado a polícia. Em circunstâncias incertas, o rapaz sofreu uma pancada fatal na cabeça, na fábrica de doces onde trabalhava, no Jardim TV, quarta-feira,  ocorrida mediante três hipóteses: 1- Proveniente de agressão durante uma briga na fábrica de doces em que trabalhava 2- Quando brincava com outro adolescente  ou 3- Uma queda acidental.

Cristian faleceu por volta das 11h de ontem, após permanecer internado desde a tarde de quarta-feira, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI-Hope) do Hospital de Base (HB), em Bauru.

O corpo de Cristian foi velado ontem no Centro Velatório Terra Branca, e seu sepultamento será hoje às 10h, no Cemitério do Redentor. O pai da vítima, Marcílio Messias dos Santos, contou ontem que seu filho ainda chegou a ser levado pelo proprietário da fabrica à Unidade Básica de Saúde do Jardim Godoy na quarta-feira. Depois, uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) levou o adolescente para o Hospital de Base. Marcílio comenta que, durante o trajeto, a equipe do Samu conseguiu fazer a manobra para ressuscitar Cristian. De acordo com o pai, o garoto permaneceu em coma até falecer, no final da manhã de ontem.

À reportagem do JC, Marcílio disse que não sabe o que aconteceu com o filho na empresa. Segundo ele, as versões se contradizem, porque algumas pessoas comentam que a pancada na cabeça teria ocorrido durante uma brincadeira entres os garotos.  Já outra hipótese sugere uma briga que desencadeou o trauma na cabeça, talvez causado pela pancada em uma fôrma de doces, segundo relatou outro familiar ao JC. “A gente também está querendo saber a verdade”, disse o pai.

Marcílio afirma que o filho trabalhava há cerca de um ano na empresa, mas sem nenhum registro em carteira, o que também seria praxe em relação a outros adolescentes que atuariam na fábrica de doces. O pai da vítima acrescenta que o salário era pago corretamente.

 

Mistério

O pai do adolescente conta que o proprietário da empresa em que o filho trabalhava disse que não estava na fábrica no momento do incidente que vitimou seu funcionário. De acordo com Marcílio, o dono contou que uma funcionária teria testemunhado o que aconteceu com Cristian. A fábrica de doces funciona nos fundos de uma residência na quadra 4 da rua Joaquim Marciano, no Jardim TV.  “Diz ele que a molecada que trabalha com ele contou que a empregada viu o que aconteceu. Mas ninguém dá uma resposta definitiva disso”, comenta o pai.

Marcílio acrescenta que o patrão de seu filho contou que o garoto estava desmaiado quando chegou à empresa e ele prestou socorro imediato, levando-a para a Unidade Básica de Saúde do Godoy.  A reportagem do JC esteve na fábrica, no final da manhã de ontem, mas a informação era de que o proprietário não estaria no local.

O imóvel não tem placa identificando que se trata de uma empresa comercial. A residência não possui número e sua frente é toda fechada, com um portão lateral de onde não se vê a movimentação interna. Contudo, no Jardim TV todos sabem que ali funciona uma fábrica de doces. O JC também entrou em contato por telefone com o proprietário da fábrica, mas ele não quis conceder entrevista. Mesmo assim, outros recados foram deixados em sua secretária eletrônica, sem retorno até o fechamento desta edição.

 

Tristeza

A notícia da morte de Cristian circulou rapidamente no Jardim TV e no Jardim Marília, onde ele morava, entre conhecidos, amigos e outros familiares do adolescente. O amigo Marcelo Custódio da Silva foi informado da morte por um telefonema em seu celular. As lágrimas imediatamente rolaram pelo seu rosto, enquanto caminhava para o trabalho na Emef Nacilda de Campos, a uma quadra da fábrica de doces, na quadra 4 da rua Joaquim Marciano. “Ele era sobrinho de uma ‘irmã’ da igreja que frequento e onde a mãe dele também vai”, comentou. Silva diz que os meninos da fábrica imediatamente se juntaram para uma oração ao saberem da morte do jovem. De acordo com Silva, também foi solicitada uma prece em um programa de rádio pelo falecimento de Cristian.

 

Garoto trabalhava para realizar sonho, diz o pai

Cristian Daniel Goulart dos Santos, de 16 anos, trabalhava na fábrica de doces do Jardim TV há cerca de um ano para realizar o sonho da compra de um carro quando atingisse a maioridade. Marcílio Messias dos Santos, pai do adolescente, conta que o rapaz estava na fase de juntar dinheiro para cursar uma autoescola.

Cristian era o mais velho entre os sete filhos do casal Silvia e Marcílio. A família reside no Jardim Marília.

No período da manhã, ele cursava a primeira série do ensino médio na Escola Estadual Professora Carolina Lopes de Almeida, no Jardim Godoy. À tarde, trabalhava na fábrica de doces. Marcelo Custódio da Silva, que conhecia a família, definiu Cristian como um menino simples, educado e humilde.

 

Esperança no hospital

Ainda durante toda a manhã de ontem, os pais de Cristian Daniel Goulart dos Santos, Marcílio dos Santos e Silvia Cristina Goulart, avós, tias, tios, primos e amigos se aglomeravam na recepção do Hospital de Base (HB) acreditando que o adolescente sobreviveria. mas no começo da tarde eles tiveram a informação de que o quadro clínico era de morte cerebral.

Para todos, o sinal de que poderia ocorrer uma reversão era o fato de o adolescente ter sido ressuscitado após a pancada na cabeça, ainda na ambulância do Samu. Porém, as esperanças terminaram quando veio a notícia de que o coração de Cristian havia parado de bater. Familiares e amigos se juntaram em um canto ao lado da escadaria da unidade hospitalar buscando consolo.

Marcílio havia sido chamando pelos médicos e retornou arrasado pela notícia da morte do filho. “O coração parou de bater. Não teve jeito”, finalizou.