08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Um dia de troca


| Tempo de leitura: 3 min

Um dia sai apressado,
Para trocar o presente,
Que da minha esposa amada,
Com amor tinha ganhado.

Na bike eu montei,
Como se estivesse em cima de
um alazão,
Bravamente galopei,
Sentindo o vento no rosto,
O suor correndo pelo pescoço,
Molhava o peito moreno,
Marcando a camisa,
De um gigante pequeno.

Meu pensamento era de paz,
Nem ousaria olhar para traz,
Com aquela alegria,
Que o presente,
Para frente me condizia.

O presidente que já era,
Logo se fez presente,
E a praça as Rui Barbosa,
Na minha frente se apresentou,
Com o dia ensolarado,
Numa tarde muito quente.

Quando nela eu estava,
O entusiasmo virou fumaça,
Comecei a contemplar,
O que lá dentro se passa,
Cercando por uma neblina,
Que minha mente não ultrapassa.

Vi quatro homens em pé,
Com as mãos para trás,
Estavam sendo interrogado,
Por três ou quatro rapazes,
Distintamente uniformizados,
Como valentes policiais,
Há muito tempo selecionados.

Um passo mais a diante,
Uma senhora gorda,
E um menino magro,
Com cara de viajante,
Sentados num banco,
Mem se importando,
Com a abordagem dos meliantes.

Passando perto do arco,
Um senhor com uma bengala,
Vestido de blusa grossa,
Parecia estar no ártico,
Com semblante humilde,
Olhou-me,
Senti que me admirou,
E parecia um mágico.

Do meu lado esquerdo,
A água na fonte jorrava,
A névoa que subia,
No ar se esparramava,
Molhando as pessoas,
Que distraidamente passavam.

Enquanto empurrava minha bike,
Um susto me chacoalhou,
Algo triste e comovente,
Um homem deitado no chão quente,
E volta dele muita gente.

O resgate chegou correndo,
Com homens de branco,
A multidão ia varrendo,
Tiraram a maca para resgatar,
O indivíduo que não estava morrendo.

Olhei na direção do coreto,
Um bêbado atrapalhado,
Ia cambaleando,
Querendo andar direito,
Caiu ajoelhado.

Numa mureta,
Ali do lado,
Uma toalha estendida,
Todos eufóricos,
E não era por causa de comida,
Faziam barganha de relógios,
Usando muita mentira,
Outros juravam que era verdade,
Eram Lisos na arte,
Dominavam a malícia.

Também tinha um carrinho,
Vendendo cachorro quente,
Um menino robustinho,
Todo lambuzado,
Ria mostrando os dentes.

Não entendendo nada,
Desconhecia a matilha,
Não sabia que a salsicha,
Vinha de uma gorda manada.

Um índio se fez presente,
Com artesanato no chão,
Tocava uma flauta,
Que ecoava na multidão,
Querendo ganhar um troco,
Mostrando as origens,
Presa no coração.

Quando eu estava quase passado,
Uma aglomeração,
De repente ia se formando,
Alguém com um microfone,
Falava bem alto,
Para todos anunciando,
Este é um bom remédio,
Que no mercado estava faltando.

Meu Deus!...
Que loucura!...
Minha cabeça madura,
Grande mente estremeceu,
Com o que rapidamente ocorreu.

Olhei para o Horizonte,
Vi o povão que andava errante,
Subindo e descendo o Calçadão,
Gastavam com alegria,
O ultimo tostão.
Estavam todos sorridentes,
Carregavam pacotes,
Uns embrulhados para presente,
Ouros em sacolas,
Eram maravilhosos troféus,
Conquistados numa batalha,
De trabalhadores heróis
Numa terra de valente.

Então contemplei,
Que a alegria do homem,

É ganhar,
Também gosta de comprar,
Para o amigo presentear,
A família cultuar,
Esta mania é uma onda,
Que demora passar.

Que incrível!...
Muitas situações diferentes,
Mas estão todos nu,
Vestidos de tristeza, mentira,
Contentamento, verdade e euforia,
Cultivando em suas mentes,
A glamorosa fantasia,
Que processa os desejos,
Transformando os em alegria,
Que é o alimento de suas vidas,
Nesta estrada tão comprida.

Edson Pereira Da Silva