Fatos curiosos estão registrados na ‘vida’ de Reginópolis, antes mesmo do município ter este nome. O “Deus da Serra” é um episódio ocorrido entre os anos 2
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do século passado, na zona rural da ainda Batalha, denominação antiga de Reginópolis. Depois de décadas, não se sabe se o desfecho é parte do folclore ou foi real.
O fanatismo religioso de dois líderes no comando de uma seita pentecostal que arrebatavam fiéis e prometia dias melhores aos seguidores deixou marcas profundas na população. Entre os moradores mais antigos, a história ainda é relembrada porque foi passada de pai para filho, ressalta Henrique Perazzi de Aquino, que escreveu os textos do livro.
“O nome de Joaquim Lourenço Xavier pode não significar nada para os antigos moradores, mas o personagem religioso conhecido por Joaquim da Serra traz lembranças nada agradáveis. Um morador disse que o pai dele, à época, quando via o tal religioso circulando pelas ruas vestido com uma túnica, colocava toda a família para dentro da casa e trancava tudo, provavelmente porque tinha medo.”
Joaquim da Serra e José Serra eram líderes religiosos. Viviam isolados e vestiam túnicas. Eles formaram um agrupamento na região rural com pouco mais de uma centena de pessoas, conta o livro. “Viviam em um grande terreiro com desvios de água de um riacho para abastecimento, canais de irrigação e um templo no centro do agrupamento, rudes casebres em volta, alojamento improvisados. A maioria dos seguidores eram pessoas de pouca escolaridade e parcas rendas.”
Para participar da seita, as pessoas não podiam usar ternos, joias ou qualquer ostentação na vestimenta. Tudo o que poderia simbolizar ostentação era queimado numa imensa fogueira. “Com vestimentas longas, tipo batas, quando os seguidores chegavam à cidade provocavam o fechar quase instantâneo de portas e janelas.”
Com o passar do tempo, os convertidos se arrependiam e queriam deixar a seita. A partir daí surgiam os problemas. O abandono do agrupamento rural era proibido. Os primeiros descontentes geraram burburinho na cidade. “Surgiram boatos de que mulheres estavam sendo carregadas nas costas e obrigadas a se confessarem nuas, além de leitura totalmente desvirtuada de textos bíblicos. Isso aguçou o clamor popular de que algo precisava ser feito.”
Os rumores de mortes ocorridas entre os ditos fanáticos, relatos feitos por pessoas que conseguiram fugir, mas que tinham familiares ainda na comunidade, a polícia é convocada, ao mesmo tempo em que ocorre uma tragédia interna. “José Serra, acreditando piamente naquilo que pregava, mata seu próprio genro, na certeza que ele seria ressuscitado.”
O local é invadido pela polícia. Homens fardados são levados até o local na boleia de caminhão. O líder religioso é alvejado por tiros fatais, mas não tomba. Segundo dizem aqueles que ainda relembram a história, que mesmo com um furo da largura de um dedo no peito foi preciso que um soldado usasse a ponta da baioneta para derrubá-lo.
Verdade ou folclore, a história ainda vive na memória dos moradores mais antigos. “As mulheres iam para lá e não voltavam. Os maridos e a família ficavam preocupados. Lá se falava muito de espíritos malignos. Isso é crendice e mexeu muito com os moradores”, conta Henrique de Aquino.