08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Progresso da felicidade


| Tempo de leitura: 3 min

O mundo era bom. Todos viviam felizes. Trabalhavam a terra, caçavam e pescavam para alimentar-se. Não havia ganância nem mentiras para sobreviver. Tudo era natural e o convívio era maravilhoso. Um por todos e todos por um. Mas veio o progresso, onde todos queriam mais e mais. Insaciáveis. Inventaram a sociedade, as religiões e os políticos. Todos precisavam sobreviver. A sociedade era um "plus" que, sem trabalho, precisava se manter, identicamente as religiões. Criaram-se tributos e dízimos. Uns e outros sempre com finalidade materialista,usando a mentira, dizendo que era em beneficio da humanidade. Mentira. Tudo era, foi e será para sustentação de alguns em detrimentos de todos.

Parodiando Churchil, diríamos, nunca tantos sustentaram tão poucos. Progredindo, inventaram a ostentação para satisfação pessoal, despertando a libido até então desconhecida tanto para o sexo, a luxúria, desenfreando o desejo de todos por tudo. Uns podiam e outros não. Quem não tinha tentava tirar dos outros.

Vieram os mediadores (políticos) que, para sobreviverem sem produzir, criaram participações no trabalho alheio. Idealizaram governo com subdivisões (Estados, prefeituras, assembléias etc.), sempre iludindo e dizendo que a finalidade era para o povo. Vieram os serviços do governo, todos regiamente pagos pelo povo. Terceirizaram. Usurparam. Pisotearam. E continuam enxovalhando quem trabalha, sempre com mentiras de que defendem sua cultura, sua saúde, sua segurança, sua velhice.

Criaram impostos, tributos e taxas sobre tudo e sobre todos (IPTU, ISS, INSS, ICM, IPI, IOF, FGTS, SUS, CPMF, zona azul, pedágio, TRU, taxa para Judiciário, para iluminação, para Bombeiros, Guarda Municipal, para retirar lixo, água, pesca, caça, voo, registros e siglas, OAB, Crea, Creci, CRO, CRM, custas judiciais etc.), sempre com a mentira de que será em defesa do povo ou da classe. Mas o povo continua e continuará sofrendo; perdendo sua liberdade de ir e vir, se corre é multado, se para precisa pagar estacionamento, se usa asfalto paga pedágio.

Quer escola? Só particular. Quer saúde? Só particular, (Lula sabe ) e a que preço. Enfim, mudaram os tempos, as pessoas, os conceitos e os entendimentos. Tudo é possível contra todos, sempre com a mentira de que é para todos. E o importante é que, para o exercício do poder coercitivo, arregimentam um batalhão de pessoas que não produzem (na concepção criativa do termo), mas estão sempre a exigir mais e mais em troca do mínimo pelo mau serviço que apresentam.

Será que um dia teremos um paradeiro para esta hecatombe? Será que teremos que destruir novamente a Bastilha para que sejamos vistos e notados como povo, como gente necessitada e carente de tudo? Os indícios já estão chegando, entre outros, as operações estão chegando (morosamente), com suspensão e julgamento de juízes, cassação de ministros, prefeitos, vereadores etc. Vamos pensar no assunto? Vamos pesquisar para ver onde erramos para não incidirmos nos mesmos erros?

Segundo Oliver Wendell Holmes, citado pelo padre Beto (21/12/03), "A coisa mais importante da vida não é a situação em que estamos, mas a direção para a qual nos movemos." Por isto, disse o padre: "A partir da consciência de que somos todos irmãos é possível surgir uma ação de verdadeira solidariedade, uma sólida fraternidade". O Natal está chegando e com ele o Novo Ano. Que todos sejam muito felizes e possam, pelo menos por alguns dias, esquecer as agruras e incompreensões de nosso mundo, lutando, certamente, para que haja mais entendimento entre os homens para a felicidade geral.


Itamir Crivelli