Acho que o senhor Rosenwald não tem um pingo de compaixão nas suas palavras, até por que, se formos pensar dessa forma, não deveríamos dar alimento ou água para um morador de rua, porque eles também se proliferam e também vai haver um morador de rua em cada esquina. E os drogados do viaduto da Nuno de Assis? Já vi muitas pessoas levando comida e, inclusive, a palavra de Deus para eles, mas eles são ariscos e também não querem sair dessa vida. Então, vamos parar de alimentá-los e também parar de tentar salvar pelo menos uma alma.
Eu sou uma cidadã bauruense que coloco, sim, água em frente a minha casa e alimento animais de rua para pelo menos abrandar a dor daqueles que não sabem falar ou pedir. E pode ter certeza que por traz desse potinho de água que o senhor vê existe muito trabalho...
Diariamente, além de trabalhar 12 horas por dia, cuidar dos animais que tenho em minha casa, tento encontrar tutores e pessoas de bom coração para acolher aos poucos esses animais, que muitas vezes já tiveram um dono e foram abandonados por ele.
Essas pessoas que colocam os potinhos de água em frente de suas casas têm grande coração, mas provavelmente o espaço físico para abrigar mais animais está pequeno. Aliás, alguns dos animais que ainda estão soltos pelo meu bairro estão castrados, muito poucos ainda, porque o dinheiro sai do meu bolso e de alguns vizinhos que colaboram.
É realmente um caso para o poder público, isso eu concordo. Mas onde eles estão que nada fazem? Multar essas pessoas? E para onde você acha que vai esse dinheiro? Não podemos esperar de braços cruzados ou julgar a atitude de terceiros sem pelo menos tentar achar uma solução cabível, levando sempre em consideração que são seres vivos e conscientes, enquanto nossas autoridades competentes em Bauru nada fazem.
Quero citar como exemplo a cidade de Perderneiras, entre tantas outras que fazem campanhas maciças de castração desses animais de rua ou mesmo dos animais que tem dono, mas não têm condição financeira para fazer as castrações.
Gostaria que este texto fosse publicado, para que muitas pessoas não tivessem uma visão unilateral e simplista ao ver um potinho de água em frente a uma casa. Essas são pessoas de bem e de bom coração que travam uma árdua batalha em defesa dos animais não humanos.
Ana Paula Rivaben Nabas