08 de julho de 2026
Internacional

Síria cometeu crimes contra humanidade

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Nova York - As forças militares e de segurança sírias não pouparam nem mesmo as crianças na dura repressão às manifestações contra o governo do ditador Bashar Assad.

Essa é uma das conclusões do relatório da Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU sobre a Síria, entregue ontem ao Alto Comissariado para Direitos Humanos pelo coordenador do texto, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro.

Mesmo não tendo visitado a Síria - sua entrada foi negada pelas autoridades locais, apesar de insistentes pedidos-, ele compilou denúncias a partir de depoimentos de 223 vítimas e testemunhas.

Segundo o relatório de Pinheiro, entre março (início da revolta contra Assad) e 9 de novembro, 256 crianças foram mortas no país e um número inestimado delas foi torturada e violentada sexualmente em prisões do país.

O relatório lista “crimes contra a humanidade”. Para Pinheiro, é “muito espantoso” o número de vítimas crianças.

O texto cita o caso de dois garotos, de 13 e 14 anos, torturados e mortos numa instalação da Força Aérea em Damasco, e de um jovem de 15 anos que foi abusado sexualmente na prisão diante do pai.

Mas há ainda informações sobre execuções sumárias, prisões arbitrárias, desaparições forçadas e outros tipos de tortura, como eletrochoques e privação de comida.

Segundo a comissão, a situação se agrava a cada dia no país, exigindo que a comunidade internacional “implemente imediatamente medidas de emergência” para cessar a violência. O grupo sugere que o Alto Comissariado estabeleça uma “presença em campo” na Síria para monitorar a situação dos direitos humanos e tome medidas urgentes, por meio da Assembleia Geral da ONU e do Conselho de Segurança. Mas não menciona a necessidade de sanções ou outro tipo de intervenção no país.

O relatório foi feito com base em depoimentos de vítimas e testemunhas de violações de direitos humanos, a maioria  deles civis e não militantes. Foram ouvidos também desertores das forças militares e de segurança.

 

Rússia envia navios de guerra

 Moscou - A Rússia está enviando uma frota de navios de guerra para sua base naval na Síria, em uma demonstração de força que sugere que o governo russo está disposto a defender seus interesses no país, à medida que cresce a pressão internacional sobre o presidente Bashar al -Assad.

 O jornal Izvestia divulgou ontem, citando o almirante russo aposentado Viktor Kravchenko, que a Rússia planeja enviar seu porta-aviões “Almirante Kuznetsov” e um navio patrulha, uma embarcação antisubmarino e outros navios. “Ter qualquer força militar além da Otan é muito benéfico para a região, uma vez que impede a eclosão de conflitos armados”, disse Kravchenko, que foi chefe da equipe da Marinha de 1998-2005, segundo o Izvestia.

Um porta-voz da Marinha, citado pelo jornal, confirmou que os navios de guerra russos seriam deslocados para a base de manutenção que a Rússia mantém na costa síria perto de Tartus, mas disse que a viagem não tem nada a ver com a revolta contra Assad.

 

Milhares pró-Assad protestam contra sanções da Liga Árabe

Damasco - Dezenas de milhares de pessoas se reuniram ontem em Damasco para criticar as sanções impostas no domingo pela Liga Árabe ao regime sírio de Bashar Assad que, segundo as autoridades, prejudicariam a população.

Na praça Sabaa Bahrat, no centro da capital, os manifestantes agitavam bandeiras e retratos de Assad, ao som de canções patrióticas.

A Liga Árabe aprovou no domingo sanções econômicas severas contra a Síria para obrigar o regime a acabar com a violenta repressão de opositores durante revoltas que já duram mais de oito meses.

Até o momento, as autoridades sírias não reagiram oficialmente ao anúncio das sanções. Antes de elas serem aprovadas, Damasco havia retratado a ação como uma “conspiração ocidental” para prejudicar o país, por conta de sua oposição a Israel.

A TV estatal síria descreveu as sanções como “medidas sem precedentes que alvejam a população”. E autoridades sírias consideraram as sanções como uma traição à “solidariedade árabe”.

 

Sanções

Ministros árabes aprovaram ontem sanções à Síria diante do agravamento da violência no país. Entre as medidas estão: congelamento de ativos, paralisação de investimentos e suspensão de transações com o Banco Central sírio.

As sanções foram aprovadas por 19 dos 22 membros da Liga Árabe. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro do Qatar, Hamad bin Jassim Thani, após a votação. Segundo ele, caso as medidas falhem em conter a crise no país, as forças de outras nações estrangeiras poderiam ter que intervir na Síria.

A declaração mostra uma mudança de posição, uma vez que Thani havia dito anteriormente que a Liga queria evitar de qualquer maneira um episódio semelhante ao que ocorreu na Líbia, onde uma resolução do Conselho de Segurança da ONU permitiu a intervenção da Otan, a aliança militar do Ocidente, com ataques aéreos.