10 de julho de 2026
Política

Perícia apura fraude em contas do DAE

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A adulteração de contas de consumo de água de usuários dos bairros da região sul de Bauru passará por perícia especializada em sistemas de informação de dados no Departamento de Água e Esgoto (DAE). Esta é, a princípio, a única forma de a autarquia levantar informações precisas sob o alcance da fraude e levantar indícios de autoria. A perícia no banco de dados, entretanto, depende da não retirada de relatórios do sistema após a ocorrência.

Conforme divulgado pelo JC no último sábado, consumidores da zona Sul de Bauru foram surpreendidos com a emissão de contas de consumo de água com valor muito acima do normal há alguns dias. O DAE não prestou qualquer explicação a respeito, mas o sistema de dados informatizados sofreu adulteração. A fraude atingiu 4.000 contas, mas as diretorias de informática e financeira conseguiram interromper os registros adulterados e cessar o problema.

Ainda assim, a autarquia confirma que 400 endereços da Zona Sul tiveram contas emitidas com valor a pagar indevidos. O DAE garante que corrigiu as faturas para esses endereços e já realizou a entrega do documento com o valor a pagar corrigido.

O maior problema no episódio, entretanto, está em indicativos de possível boicote, possivelmente praticado por servidor (es) que tem acesso aos sistema de dados. A fraude não envolve leituristas.

Os profissionais que colhem as informações de consumo de água diretamente nos endereços (residenciais, comerciais e industriais) não tem acesso ao sistema de dados internos, conforme a direção de informática do DAE. Os coletores apenas registram os consumos obtidos dos hidrômetros, na rua, e, simultaneamente, a máquina emite as contas. A fatura é entregue na hora para cada endereço.

Sindicância administrativa


A perícia no sistema de dados do DAE será a principal ferramenta para apuração da adulteração. Isso porque, por força de lei, a Corregedoria da autarquia terá de realizar sindicância administrativa para apurar a ocorrência, levantando informações, dados, depoimentos e dados necessários para buscar a identificação de autores.

A adulteração em consumos de água, para maior, só pode ter origem em duas áreas ligadas ao Serviço de Informática do DAE. Segundo o diretor do setor, Daniel Simões Garcia, a base de dados com o registro do histórico de consumo de cada unidade consumidora bauruense é manipulada em duas fases.

O Serviço de Informática atua na área conhecida como de "remessa de dados", em uma das ações realizadas por servidores que detém senhas do sistema. A outra fase informatizada com acesso ao sistema é chamada de "concentrador", onde está o software que gerencia as informações obtidas das máquinas coletoras.

Caso não tenha havido manipulação do sistema após a realização das adulterações, o relatório terá condições de identificar qual senha (cada servidor com acesso ao sistema tem uma de uso pessoal e intransferível) atuou durante a fraude. Outra informação possível é identificar em qual PC a fraude foi realizada, já que o banco de dados também permite localizar o IP (identificador específico de cada computador).

O operador da fraude tinha necessariamente de ter senha para adentrar ao sistema e, neste, realizar a adulteração nos registros de consumo. Essas informações foram alimentadas ao coletor repassado ao leiturista que foi às ruas realizar o devido registro do consumo nos hidrômetros.

As informações preliminares relacionadas à fraude estão em fase inicial de apuração na Polícia Civil. O registro da ocorrência sobre o caso aponta que chamou a atenção reclamação de consumidores junto à Central de Atendimento do DAE, no início da semana. O valor elevado de contas emitidas na Zona Sul levou a direção de informática a fazer a checagem do banco de dados. A ação permitir confirmar que houve alteração de dados de consumo diretamente no sistema.