Diante dessa juventude que aí está, é difícil prever o papel que representará neste século. Poderá ter pequena representatividade em alguns grupos de vanguarda, mas não como força de mudança social nem mesmo como força eleitoral. Não conheço nenhum movimento que possua organização juvenil. Por isso, tenho muitas interrogações em relação ao futuro da política no Brasil, especialmente depois daquela agitação caótica de alguns estudantes da USP. A defesa de algumas causas em torno de questões específicas, como movimentos de emancipação ou preservação do ambiente, só estão associadas à política marginalmente. Não tenho dúvida de que essa despolitização, que já vem de longa data, é um dos problemas mais óbvios e sérios de nossa sociedade. Até quando ficaremos à mercê do ranço de políticos anacrônicos?
Maria da Glória De Rosa