O Núcleo Sem Fronteiras de Criadores de Cavalos Crioulos promove em Bauru, neste final de semana, um grande evento da raça no Recinto Mello Moraes. O público poderá assistir as apresentações gratuitamente, de hoje a domingo, a partir das 9h.
Hoje, durante todo o dia, haverá a 5ª Exposição Morfológica de Bauru, na pista gramada do Recinto, além da concentração para o registro de animais, logo pela manhã.
Amanhã, durante o dia será iniciada a quarta etapa credenciadora ao "Freio de Ouro" e das provas amadoras (infantis, juvenis e aspirantes) de Bauru. À tarde haverá mostra dos animais que irão à venda à noite durante o "Leilão Sem Fronteiras de Cavalos Crioulos", com transmissão ao vivo pelo Canal Terra Viva.
No domingo de manhã será realizada a etapa final da Credenciadora ao Freio de Ouro e das provas amadoras, e às 13h uma prova de Team Penning multi-raças, ou seja, da qual não apenas cavalos Crioulos participam. Segundo os organizadores do evento, já vários animais da raça Quarto de Milha já estão cadastrados, possibilitando ao público um espetáculo ainda mais interessante.
Durante esse período também haverá demonstração do "Movimento La Rienda", uma prova inédita em Bauru em que o cavalo da raça Crioula demonstra suas condições de adestramento necessárias ao trabalho. Nela, devem expressar docilidade, tranquilidade e compenetração.
O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), Manuel Luis Benevenga Sarmento, dos mais tradicionais criadores da raça Crioula, virá do Rio Grande do Sul para Bauru para prestigiar o evento, que é de grande importância para ampliar o número de criadores na região.
A associação congrega criadores de várias localidades do Estado de São Paulo, do norte do Paraná e do sul de Minas, mas foi criado e tem sede em Bauru. O primeiro - e atual - presidente do Núcleo é o advogado e pecuarista Paulo Roberto Parmegiani, também diretor da Associação Rural do Centro Oeste (Arco).
Desde 2007, o Núcleo Sem Fronteiras traz os cavalos Crioulos para provas em Bauru, e neste ano está comemorando o quinto ano de presença constante por aqui, já tornando suas provas tradicionais e esperadas.
Origem da raça
Os animais da raça Crioula são descendentes dos cavalos trazidos da Península Ibérica no século XVI - época do descobrimento da América -, que adquiriram características únicas e próprias após a seleção natural a que foram submetidos, com viagens marítimas em condições precárias e inóspitas, adaptação a local, alimentação e clima totalmente diferentes daqueles que tinham no sul da Europa.
Como a colonização do Brasil e de outros países não seguiu um ritmo regular, a partir do século XVII, muitos cavalos tornaram-se livres e selvagens. Durante os primeiros séculos do novo continente, as manadas, espalhadas pelas Américas, tiveram diferentes destinos, sendo que, em alguns lugares foram extintos por guerras e cruzamentos com outras raças.
Os cavalos Crioulos ficaram concentrados, principalmente, no sul da América, onde hoje está a Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai e o sul do Brasil, forjando-se através de seleção natural.
Em meados do século XIX, fazendeiros sul-americanos perceberam a importância e a qualidade dos cavalos Crioulos, passando a preservá-los como nova raça, bem definida e com características próprias, que ganhou notoriedade a partir do século XX, quando várias associações foram criadas e o valor do Cavalo Crioulo foi exaltado e comprovado.
Freio de Ouro
A eficiência do cavalo Crioulo, sua rusticidade, docilidade, longevidade e custo razoável, atraem muita gente para a raça. Grande parte não é do meio rural, tendo aderido à criação em busca do lazer ou das provas funcionais: rédeas, laço, enduro, marcha e, especialmente as do Freio de Ouro. É o Freio de Ouro que testa, na prática, todo o potencial e habilidade do Cavalo Crioulo em mais de 30 provas credenciadoras, como a que haverá neste sábado e domingo em Bauru.
Cada uma seleciona no máximo quatro machos e quatro fêmeas para a etapa seguinte, que são as finais classificatórias regionais. A exceção é a classificatória de Montevidéo, no Uruguai, que seleciona apenas dois machos duas fêmeas, fechando o número de animais que participaram da final de Esteio (RS).