10 de julho de 2026
Geral

Cavalo Crioulo traz cultura única a Bauru

Luiz Beltramim
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis

Evento do cavalo Crioulo reúne em Bauru a multiplicidade da raça de todo o Brasil

Multiplicidade de costumes e culturas em torno de uma raça única e especial. Este é o cenário observado desde sexta-feira, no recinto de exposições Mello Moraes, durante a edição 2011 do evento destinado ao cavalo Crioulo.

A iniciativa, promovida pelo Núcleo Sem Fronteiras de Criadores de Cavalos Crioulos, que conta com competições e leilão alusivos à raça, permanece até hoje com portas abertas ao público.

Trajes e sotaques diferentes era o que mais se via durante o segundo dia de eventos. Com 120 animais oriundos de diversas regiões do País, a iniciativa – que abrangeu apresentações, exposições e provas credenciadoras ao “Freio de Ouro”, bem como disputas amadoras e de morfologia (com avaliação do estado físico e beleza do equino).

Animais e criadores vindos do Rio Grande Sul, considerado o berço da raça, observa Paulo Roberto Parmegiani, presidente do Núcleo Sem Fronteiras, juntaram-se a cavalos crioulos, cuidadores e montadores de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. “No evento deste ano temos a quinta edição da exposição morfológica e a quarta credenciadora ao Freio de Ouro (a maior competição da raça no País)”, acentua Parmegiani, que também é diretor da Associação Rural Centro Oeste, a Arco.

Uma das características das apresentações e competições, destaca Ana Eliza Esparza Parmegiani, diretora de divulgação da entidade bauruense, é a caracterização específica de cada cavaleiro, de acordo com sua respectiva região de origem. Desta forma, gaúchos se destacavam com suas boinas, bombachas e guaiacas, bem como os paulistas ao melhor estilo cowboy. “Quem monta deve estar pilchado (termo gaúcho que designa a vestimenta do cavaleiro”, destaca.

A participação de representantes de diversos Estados, acentua a diretora de divulgação, é resultado do prestígio que a cidade obtém, ano após ano, entre os criadores da raça. “É o quinto ano consecutivo que o cavalo Crioulo se apresenta em Bauru. Sempre com muito sucesso, incentivando cada vez mais a participação de cavalos e cavaleiros de várias regiões”, enaltece.

 

Multifuncional

É desta forma que o gaúcho Anderson Silveira, diretor comercial da Crioulo Remates, parceira da bauruense Verdó Leilões no evento, denomina o cavalo Crioulo. A raça, também conhecida como Cavalo das Américas, é apreciada por unir versatilidade e beleza. “É um cavalo multifuncional”, classifica. “Claro que nós, que gostamos de cavalo, preferimos não definir esta ou aquela raça. Mas (o cavalo Crioulo) se adapta facilmente a diferentes tarefas e provas”, elogia. “Para a nossa realidade, que é o interior de São Paulo, é o cavalo ideal para o criador que precisa lidar com rebanho, além de ser cavalo para prova também”, ilustra o parceiro Lucas Aquino Pelleari Verdó, da Verdó Leilões de Bauru.

Entre os gaúchos que prestigiaram o evento no recinto Mello Moraes, Manoel Luís Benevenga Sarmento, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), enaltece o caráter vaqueiro do Crioulo. “É selecionado para o trabalho. Um cavalo rústico, resistente e habilidoso. Esteve muito tempo isolado no sul, até pelo próprio tamanho do Brasil. Um diamante lapidado após 500 anos de seleção natural”, elogia.

Para o presidente da Associação Brasileira, o fato da raça reunir admiradores de diversas partes do País significa a quebra de um tabu. “Quebramos a barreira de que o cavalo crioulo sempre teria de ter um gaúcho em cima”, descontrai Sarmento, natural de Bagé (RS). Atualmente, segundo ele, o Brasil conta com 82 núcleos de cavalo Crioulo.

 

Origem

A raça Crioula descende dos cavalos trazidos da Península Ibérica no século XVI - época do descobrimento da América -, que adquiriram características únicas e próprias após a seleção natural a que foram submetidos, com viagens marítimas em condições precárias e inóspitas, adaptação a local, alimentação e clima totalmente diferentes daqueles que tinham no sul da Europa.

Como a colonização do Brasil e de outros países não seguiu um ritmo regular, a partir do século XVII, muitos cavalos tornaram-se livres e selvagens. Durante os primeiros séculos do novo continente, as manadas, espalhadas pelas Américas, tiveram diferentes destinos, sendo que, em alguns lugares, foram extintos por guerras e cruzamentos com outras raças.

Os cavalos Crioulos ficaram concentrados, principalmente, no sul da América, onde hoje está a Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai e o sul do Brasil, forjando-se através de seleção natural.

Em meados do século XIX, fazendeiros sul-americanos perceberam a importância e a qualidade dos cavalos Crioulos, passando a preservá-los como nova raça. “É um cavalo que foi moldado na lida campeira, nas guerras, definindo-se como um animal muito dócil e fácil de lidar”, conceitua o criador paranaense Evaldo Mendes Taborda, também presente ao evento em Bauru. “Ele não se estressa fácil”, destaca.