10 de julho de 2026
Internacional

Resultados oficiais confirmam vantagem para islamitas no Egito

Folhapress
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Cairo - Após obter mais de 60% dos votos no primeiro turno das eleições legislativas no Egito, os partidos islamitas tentarão melhorar esse resultado no segundo turno, que começa hoje e deve confirmar a predominância islâmica no futuro Parlamento.

Dados oficiais divulgados ontem pela Alta Comissão Eleitoral egípcia mostram que o Partido da Liberdade e da Justiça (PLJ), braço político da Irmandade Muçulmana, obteve 36,62% dos votos, os salafistas fundamentalistas do Al Nour, 24,36%, e uma terceira lista islâmica moderada, o Wassat, obteve 4,27%.

O Bloco Egípcio, principal coalizão liberal, obteve 13,35%. Os liberais, divididos em seis listas, alcançaram um total 29,39% e são os grandes derrotados desta eleição.

“Saudamos a opção do povo egípcio”, declarou Ahmed Sobea, porta-voz do PLJ. “O Egito necessita agora que todas as partes cooperem para sair da crise”, acrescentou Sobea, referindo-se à violência registrada nos dias anteriores às eleições.

O secretário-geral da Alta Comissão Eleitoral, Yusri Abdel Karim, informou que o número de cadeiras atribuído a cada lista só será anunciado depois do término das eleições da Assembleia Popular (Câmara de Deputados) em todas as regiões administrativas, em 10 de janeiro.

Esta primeira fase das eleições ocorre em um terço do território. O restante das vagas será preenchido em outras etapas da eleições, que ocorrerão até janeiro. Em março, os egípcios voltarão às urnas para eleger a Shura, Câmara Alta consultiva.

O índice da participação nesta primeira etapa da eleição no Egito -país muçulmano mais populoso do mudo árabe (mais de 80 milhões de habitantes)- foram históricos 62%.

O avanço dos salafistas surpreendeu a Irmandade Muçulmana, que se apresenta como moderada, e causou temores nos meios laicos e coptas (cristãos no Egito).

“Representamos um Islã centrista e moderado, não impusemos nada à força”, afirmou Mahmud Gozlan, porta-voz da Irmandade Muçulmana, pedindo para “não colocar todos os islâmicos no mesmo saco”, ao se referir ao partido Al Nour.

Por sua vez, os salafistas, fortalecidos pelos resultados eleitorais da semana passada, multiplicaram suas declarações a favor de um islã rigoroso.