08 de julho de 2026
Regional

Morte de cães revolta compradores

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 5 min

Lençóis Paulista – A compra de um filhote de cachorro, que deveria ser motivo de alegria para muitas famílias, está se transformando em dor de cabeça para alguns moradores de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) que adquiriram seus animais de estimação em uma feira realizada na cidade entre os dias 25 e 27 do mês passado. A maioria dos filhotes ficou doente ou morreu e, até agora, as pessoas não foram ressarcidas pelos prejuízos.

O evento, denominado 1ª Exposição Internacional de Pequenos Animais e Filhotes, ocorreu no salão de festas de uma conhecida entidade em Lençóis Paulista. A quantidade de filhotes de cães comercializada nos três dias ainda é incerta. Os organizadores falam em 12, mas compradores acreditam que esse número chegue a 50, já que cerca de 30 animais doentes teriam sido atendidos em clínicas veterinárias do município. Pelo menos dez acabaram morrendo, todos de raça.

Os sintomas apresentados por todos os filhotes foram os mesmos: indisposição, falta de apetite, diarreia – inclusive com sangue – e vômito. Eles se manifestaram cerca de uma semana após o final da feira. Apesar do atendimento especializado, os veterinários não conseguiram diagnosticar as causas da doença. Entre três e quatro dias, alguns cães acabaram morrendo. A suspeita é de que eles não tenham sido vacinados e vermifugados, como declarado pelos vendedores.

Morador de Lençóis, que preferiu não se identificar, pagou R$ 600,00 na feira por um filhote de raça, além de R$ 30,00 pela primeira consulta médica, realizada no próprio evento, e mais R$ 30,00 pela emissão do certificado de pedigree. “Os vendedores não deram nota fiscal a nenhum comprador, somente um contrato de gaveta”, reclama. No caso de raças como Shar-Pei, o valor dispendido pelos compradores chegou a R$ 1,2 mil. Outras, como Shih-tzu, eram vendidas por R$ 900,00.

Em poucos dias, de acordo com ele, o animal começou a passar mal e teve que ser levado a uma clínica veterinária, onde permanece internado. “Não sabemos a forma como ele (vendedor) estava alimentando, transportando e cuidando desses animais”, diz. “Também não sabemos se esses animais foram vermifugados, pois não há esse registro na carteirinha de vacinação. Certamente, um animal contaminou todos os outros, afinal, os sintomas são idênticos”.

Em contato com o organizador da feira, Renato de Oliveira, o comprador foi informado de que a situação seria resolvida. Contudo, segundo ele, até agora, nada foi feito. Ele alega que chegou até a telefonar para um canil de Curitiba cujo nome consta no contrato e recibo do pedigree. “Ele (proprietário) me disse que não foi ele que vendeu o filhote e sim uma outra pessoa, que somente usou a carteirinha de vacinação dele”, relata.

Um outro comprador, que também preferiu não ter o nome revelado, conta que seu animal morreu no início dessa semana. Em contato com o vendedor, cujo primeiro nome seria Cleon, este teria informado que, em 45 dias, irá dar a ele um novo animal, da mesma raça. Para que seja feito o ressarcimento, será necessário enviar ao vendedor fotos do animal morto e laudo do veterinário que o atendeu.

Outros compradores revelam que estão tendo dificuldades para entrar em contato com organizadores da feira e vendedores. Um deles criou até um e-mail e disponibilizou em uma conhecida rede de relacionamentos para que possa ser informado sobre as cidades da região aonde a feira esteja sendo realizada. O objetivo é falar pessoalmente com os responsáveis visando ao ressarcimento dos prejuízos. Quem tiver informações sobre o evento, pode avisá-lo através do caeslencois@gmail.com


 

Danos serão ressarcidos

O organizador da 1ª Exposição Internacional de Pequenos Animais e Filhotes em Lençóis Paulista, Renato de Oliveira, disse ontem ao Jornal da Cidade que todos os compradores que se sentirem prejudicados devem entrar em contato com ele pelo e-mail renato.biffe@hotmail.com para narrar o problema enfrentado. “Eu, inclusive, já estou com um veterinário. Parece que houve realmente um problema no canil e ele já está resolvendo”, afirma.

Ele revela que soube da morte de apenas de dois filhotes e que esses compradores serão ressarcidos. “As pessoas não podem ser lesadas. Esse é um evento sério. A gente lida com vidas. Se houve um problema, vai ser resolvido. Vai ser enviado um outro animal em perfeitas condições, tudo certinho”, anuncia.

De acordo com ele, no caso dos animais doentes, o fato pode ter sido provocado até mesmo por uma mudança no tipo de ração, o que torna a causa do problema difícil de ser diagnosticada. Nesses casos, um eventual ressarcimento teria que ser analisado. “Existe um contrato firmado entre as partes. Esse contrato tem que ser respeitado. O responsável pelo canil, até agora, não recebeu as documentações (do vendedor), recebeu só reclamações e, tudo, tem que ser documentado”, pontua.

O dono do canil que teria fornecido os filhotes para venda, Ronny Peterson, diz que não tem qualquer responsabilidade em relação ao caso e que não participou da feira. De acordo com ele, eventuais problemas têm de ser tratados com o Cleon, que foi quem vendeu os animais. “O meu canil não participou dessa exposição. Eu emprestei a carteirinha de vacina do meu canil para um amigo meu (Cleon) porque a dele não estava pronta”, defende-se. “Não fui eu quem vendeu os cachorros”.

A assessoria de imprensa da Sociedade Brasileira de Cinofilia Independente (Sobraci), que fez a emissão dos certificados de pedigree dos filhotes, informou que sua função é atestar a raça dos animais e que não tem como prever eventuais doenças que eles possam vir a ter. A prefeitura de Lençóis Paulista declarou por meio da assessoria de imprensa que apenas concedeu o alvará para funcionamento da exposição e que não tem a função de fiscalizar a saúde dos cachorros comercializados.