10 de julho de 2026
Articulistas

A desaceleração da economia

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Como era esperado, o PIB (Produto Interno Bruto) desacelerou no terceiro trimestre de 2011, se comparado ao segundo trimestre deste ano.

O IBGE divulgou que o crescimento naquele período foi zero. O consumo das famílias que puxava o PIB para cima observou a primeira queda depois de três anos seguidos de crescimento.

O resultado só não foi pior devido ao bom desempenho da agropecuária, que cresceu 3,2% no mesmo período, já que a indústria e os serviços caíram respectivamente 0,9% e 0,3%.

O pano de fundo continua sendo a crise internacional, cujas incertezas quanto ao futuro da economia mundial têm trazido algumas consequências econômicas e psicológicas no comportamento do consumidor.

O lado econômico, racional, refere-se à queda no nível de atividade sentido pelo trabalhador, o receio de perda de emprego e até mesmo em alguns setores a dispensa já concretizada.

O lado psicológico, emocional, vem da avalanche de informações externas apontando para um cenário maligno, sinalizando aos agentes econômicos que é melhor ter cautela neste momento, o que leva ao adiamento do consumo e ainda ao adiamento nas decisões que comprometam a renda no longo prazo.

O governo, de certa maneira, já tinha esta sinalização e apostou na queda dos juros e ainda na desoneração fiscal de alguns produtos com forte apelo popular, como os da linha branca.

Caso o cenário se deteriore ainda mais, não estão descartadas novas medidas na mesma linha do início da crise que se deu em 2008 e 2009, com redução de tributos em outros setores, notadamente no setor automotivo.

É um filme já visto, e é imperativo não encará-lo como uma marolinha, e sim com ações firmes que não comprometam as conquistas internas, principalmente no que tange a ascensão social de milhões de brasileiros.

A manutenção do nível de atividade econômica é um pré-requisito para garantir tais conquistas. Os números do IBGE devem servir de alerta ao governo.


O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC