08 de julho de 2026
Internacional

Irmandade rompe com junta no Egito

Folhapress
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Cairo - O anunciado embate entre a junta militar que governa o Egito e a Irmandade Muçulmana, cujo partido foi o mais votado na primeira fase das eleições parlamentares, teve ontem o primeiro round.

Banido no país até a deposição do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro, o grupo islâmico decidiu boicotar um conselho nomeado pelos generais para fiscalizar a redação da nova Constituição. Em tese, a Carta deveria ser elaborada por uma comissão de 100 deputados. Mas a junta militar decidiu criar o conselho sob a alegação de que o novo Parlamento não será representativo.

Desconfiado de que o conselho usurpará os poderes do Parlamento, a Irmandade retirou seus representantes do novo órgão - que inclui políticos, candidatos à presidência e lideranças jovens. “O conselho militar está determinado a se virar contra a vontade do povo”, acusou um porta-voz da Irmandade Muçulmana. A divulgação de um projeto que daria poderes supraconstitucionais à junta militar, no mês passado, deflagrou uma onda de protestos que terminou com 42 mortos em confrontos com a polícia. Diante da insatisfação, a proposta foi engavetada. Com o novo conselho, os generais ressuscitam a ideia.