08 de julho de 2026
Geral

Nomes excluídos do SPC crescem 81%

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Com a aproximação das festas de fim de ano e o pagamento do 13º salário, começou a corrida dos consumidores de Bauru para tirar o nome do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Segundo informações do órgão, em novembro, o número de pessoas na cidade que decidiram se livrar das dívidas para conseguir novo crédito cresceu 81,6% em comparação ao mesmo mês de 2010.

Ao todo, 2.492 bauruenses renegociaram seus débitos no mês passado, ante os 1.372 acordos que foram firmados há um ano. O aumento surpreendente, conforme avaliam especialistas, não pode ser explicado somente em razão das comemorações natalinas, mas denotam o bom momento que o comércio deverá vivenciar na reta final de 2011.

"Nesta época, os consumidores querem ficar com o nome limpo para poder fazer compras. Mas, neste ano, tivemos um salto muito grande, impulsionado principalmente pelo interesse das pessoas em financiar imóveis e veículos", avalia o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sérgio Evandro do Amaral Motta.

O mercado imobiliário e automotivo bastante aquecido é resultado do bom nível de emprego e do aumento da renda média do trabalhador. E esta condição financeira favorável estimula o consumidor a regularizar pendências para, então, contrair novas dívidas.

"E os lojistas, de olho neste consumidor potencial, facilitam os acordos com redução de juros e parcelamento das dívidas. E também tem atuado junto às empresas recuperadoras de crédito, que trabalham em tempo integral, inclusive nas redes sociais, para cobrar estes devedores", analisa o economista Reinaldo Cafeo, que também é presidente da Associação Comercial de Bauru (Acib).

Embora as expectativas de vendas para o fim do ano sejam bastante positivas, até novembro deste ano 38.723 consumidores ainda permaneciam inadimplentes em Bauru, acumulando mais de 62 mil dívidas que totalizavam R$ 24 milhões. Atualmente, cada pessoa incluída do SPC possui, em média, um débito de R$ 620,57.

Compras à vista

O valor é bem menor do que a dívida contraída pela artesã Mônica Azevedo, 51 anos. Seu nome foi negativado há quatro anos por conta de contas não pagas que, hoje, somam R$ 7,5 mil. Mas, até o final do ano, ela diz que pretende quitar ao menos R$ 500,00 deste montante, referentes a duas parcelas atrasadas do financiamento de uma motocicleta.

"Gostaria muito de conseguir sair do vermelho para fazer as compras de Natal, mas não vai ser possível. As festas, desta vez, vão passar em branco. Mas quero trabalhar bastante para tentar ganhar um dinheiro extra e pagar pelo menos uma parte das contas", comenta, ressaltando que está contestando parte dos débitos na Justiça.

O pedreiro Fernando Pedro da Silva, 54 anos, também está com o nome incluído no SPC, mas pretende garantir os presentes dos filhos realizando compras à vista. A intenção de sair da inadimplência, por conta de uma quantia de aproximadamente R$ 2 mil, será prorrogada para o início do ano que vem.

"É uma dívida já de algum tempo, que não consegui pagar quando tive de começar a trabalhar como autônomo. Antes, eu tinha carteira assinada e o dinheiro era garantido. Mas, já em janeiro, quero negociar, tentar reduzir um pouquinho o valor para ficar com o nome limpo", destaca.

Ainda que os consumidores estejam otimistas quanto às possibilidades de sair do vermelho, a tendência para o próximo ano, segundo Cafeo, é de que haja um maior endividamento da população, o que é confirmado pelo SPC, que verificou aumento de cerca de R$ 100,00 no valor individual das dívidas desde o início do ano até agora. "A crise já chegou na indústria e, em breve, também deve atingir o comércio. Mas, até o final do ano, não devemos verificar nenhum efeito muito intenso desta condição econômica", adianta.

Como renegociar

Para renegociar dívidas e tirar o nome do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), o consumidor deve procurar o órgão em Bauru - que fica na esquina entre as ruas Bandeirantes e Monsenhor Claro - e consultar em qual estabelecimento consta o débito. O serviço é gratuito.

Depois, o devedor poderá procurar a empresa para negociar eventuais descontos de juros ou parcelamentos. "Praticamente todas as lojas oferecem algum tipo de vantagem para quem quer pagar o débito. E, muitas delas, autorizam o SPC a fazer este acordo com o consumidor. Neste caso, ele poderá fazer o pagamento dentro do próprio órgão", explica o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sérgio Evandro do Amaral Motta.