Moscou - Dezenas de milhares de moscovitas foram às ruas ontem para protestar contra as eleições legislativas do domingo passado, que eles dizem serem fraudulentas, e também contra o primeiro-ministro Vladimir Putin.
“A Rússia será livre”, gritavam alguns. “Putin ladrão!”, “anulem o resultado das eleições”, diziam outros.
Houve manifestações por outras partes do país, as maiores demonstrações de descontentamento público na Rússia desde o fim da União Soviética, há 20 anos.
Enquanto a polícia afirma ter havido cerca de 25 mil pessoas apenas em Moscou, os organizadores estimam em aproximadamente 40 mil.
A insatisfação popular ocorre três meses antes de Putin buscar a reeleição no cargo de premiê. Presidente entre 2000 e 2008, ele está no poder há mais de dez anos.
Os protestos vão na contramão da imagem que o governo e os canais de televisão controlados pelo Estado divulgam - eles mostram um líder querido à população. As multidões nas ruas demonstram haver vontade política mais forte do que os esforços oficiais de impedir as manifestações na nação.
Apesar de ter autorizado os protestos, o governo tentou durante a semana dissuadir a população por meios paralelos. Por exemplo, autoridades sanitárias afirmaram que manifestar-se durante o inverno é prejudicial à saúde.
Ativistas apontaram, também, que o governo saturou o Twitter de mensagens com a hashtag “#navalny”. Assim, confundiam quem buscasse informações sobre o blogueiro Alexei Navalny, detido desde essa segunda-feira e sentenciado a 15 dias na prisão.
Coincidentemente, ainda, o sistema escolar de Moscou exigiu que estudantes fossem às aulas ontem à tarde - o aviso foi dado anteontem. Apesar da presença de tropas nas ruas, não há relatos de confrontos em Moscou.