08 de julho de 2026
Internacional

Plano europeu: cortes de US$ 3,6 tri


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Genebra - Neste Natal, prefeituras de cidades como Atenas, Madri ou Lisboa vão cortar drasticamente o número de lâmpadas usadas para decorar seus edifícios públicos. Para milhões de europeus que nos últimos meses já perderam seus postos de trabalho, tiveram salários reduzidos ou apenas temem ser afetados pela crise, a ordem também é não consumir.

Este Natal será apenas uma pequena amostra do ajuste que a região terá de passar nos próximos anos. Se a era da austeridade foi estabelecida literalmente por decreto na sexta-feira, numa cúpula da UE, sua transformação em ações ameaça ser recebida com mais protestos e, segundo analistas, com mais quedas governos nas próximas eleições.

Pelo pacote de reformas aprovado, governos terão de equilibrar suas contas e qualquer déficit acima de 3% do PIB será punido. O teto da dívida pública será de 60%. Na prática, para chegar ao que a UE se propõe, é preciso reduzir gastos num valor equivalente a um Brasil e meio em PIB - cerca de US$ 3,6 trilhões.

A chanceler Angela Merkel já alertou que esse ajuste não ocorrerá do dia para a noite. “A solução para a crise levará anos para ser implementada”, disse, tentando preparar a população europeia para um longo período de sacrifícios.

Os cortes, que já começaram a ocorrer por toda a Europa, dão uma dimensão do que pode ser esse sacrifício. Em praticamente todos os países, trabalhadores terão de trabalhar mais horas por dia e durante mais anos. Em Portugal, o PIB no terceiro trimestre voltou a cair 5%, depois que o governo adotou o pacote de austeridade no modelo exigido por Bruxelas.

Na Irlanda, o Instituto de Pesquisa Social e Econômica aponta que os cortes no orçamento de 2012 terão maior impacto justamente na camada mais pobre, que depende dos benefícios sociais e vai perder  500 milhões.

Na Grécia, o pacote de austeridade exigirá em 2012 o corte de 15% no salário dos funcionários públicos e a demissão de 20% deles. Duas mil escolas fecharão as portas. Segundo a consultoria Deloitte, as vendas de Natal na Grécia vão cair 25% ante o desatroso 2010.

Para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, é hora de reconhecer que o modelo econômico europeu fracassou e que o Estado do bem-estar social na Europa sobreviveu à custa de empréstimos.

 

Crise resolvida

Berlim - O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, disse que acordos alcançados durante uma cúpula da UE nesta semana resolverão a crise de dívida da zona do euro, e afirmou que a Alemanha precisa de uma Europa forte.

“Estou certo de que conseguiremos enfrentar a crise de dívida na Europa com as amplas medidas que foram decididas em conjunto sobre a reforma institucional da união da moeda europeia”, disse Schaeuble em um artigo publicado na revista Focus.

Líderes europeus aprovaram na sexta-feira um esboço de um novo tratado visando uma integração econômica maior na zona do euro, apesar de a Grã-Bretanha, a terceira maior economia da região, ter se recusado a se juntar aos 17 Estados do euro e outros nove países da UE em uma união fiscal.

Schaeuble disse que a Europa sempre emergiu mais forte das crises e que isso era importante para a Alemanha, a maior economia do bloco.

Schaeuble também reiterou que o euro era um sucessor digno do marco, ex-moeda alemã, e que havia oferecido maior estabilidade de preços durante os seus 12 anos de existência em comparação ao marco.