A alta temporada de férias está em pleno início, mas, ao invés do merecido descanso após um ano inteiro de trabalho, ela também pode trazer transtornos. Aquela viagem sonhada durante meses, caso não seja devidamente planejada, por se converter, literalmente, em pesadelo.
Carro quebrado na beira da estrada, problema de intoxicação alimentar, crianças insatisfeitas e deslocadas em meio à programação inadequada... Enfim, não faltam "opções" de dissabores para férias mal planejadas ou sem qualquer tipo de atenção antes de cair na estrada ou pegar o avião. Se a viagem for feita de carro, os cuidados devem ser tomados antes mesmo de sair da garagem.
Revisão requer atenção
A revisão completa do possante é obrigatória. Além de deixar o veículo aos cuidados de profissionais de confiança, especialistas no setor automotivo aconselham que os proprietários também coloquem a mão na massa, ou melhor, na graxa, evitando despesa desnecessária ou a ainda pior ação de "picaretas", que, além de esfolarem o bolso do cliente, ainda podem deixá-lo a pé por causa de serviço malfeito.
Um procedimento simples, mas de grande valia na hora do que deve ou não ser avaliado, está, em muitos casos, adormecido dentro do porta-luvas.
O manual do proprietário do veículo, aponta o engenheiro mecânico Marcos Camerini, é uma mão na roda na hora de checar o que deve ser reparado ou substituído de acordo com a quilometragem do veículo. "Brasileiro não tem a cultura de ler o manual", observou o especialista, em matéria publicada pelo JC no mês passado. "Siga fielmente o manual do proprietário", acentua.
Desde a calibragem ideal para os pneus (sempre com mais ar de acordo com o peso da bagagem, conforme rege o manual do proprietário, aconselha o especialista) até atenção na troca de olho ? "frentista não é mecânico, pode ser um bom vendedor, mas não é especialista", acentua Camerini, colunista do JC que assina a coluna "Dr. Automóvel", cada item deve ser checado com muito carinho, para evitar dor de cabeça.
Um procedimento simples, mas de grande importância, ainda mais quando chove, lembra o articulista do Jornal da Cidade, é a troca das palhetas do limpador de para-brisas. "Elas devem ser trocadas anualmente. Outro fator importantíssimo é o jogo de pneus. O nível das ranhuras deve estar acima das inscrições TWI, gravadas neles. Isso demonstra o quanto estão gastos", elenca.
As correias do motor (também com validade especificada no manual do veículo), alinhamento e balanceamento, sistema de freios (cujo desgaste independe à quilometragem) e sistema de arrefecimento merecem atenção especial, acentua o especialista.
Checados todos os itens inerentes ao bom funcionamento do carro e o roteiro adequado, outra preocupação está no que deve ser levado e o que deve ficar. Bagagem mal elaborada resulta em itens supérfluos ou na falta de artigos realmente necessários, mas que ficaram esquecidos em meio à desorganização. Para evitar problemas assim, a consultora de estilo, ou personal organizer Lísia Vargas decreta: "mala boa é a mala bem feita. Tem que ser versátil", determina.
Segundo ela, muita gente ainda tem dificuldades na hora de fazer a mala, principalmente, acentua, na hora de discernir o que realmente é necessário. Contudo, ela cita outros erros que, por mais absurdos que possam parecer, são bastante comuns: "já vi coisas absurdas, entre elas sapatos e roubas de baixo lado a lado, sem uma embalagem específica, além de roupa suja ou úmida sem separação", condena.
A consultora alerta que, além de reprovadas campo estético, malas malfeitas também podem resultar em perda de roupas ou até mesmo prejudicar até mesmo a saúde de seus proprietários, devido a ação de bactérias, trazendo outras ameaças a uma viagem bem-sucedida. "As roupas sujas e úmidas, dependendo da duração da viagem, podem mofar toda a bagagem", salienta.
Por isso, a personal organizer orienta: uma mala útil e prática deve conter sempre peças básicas, de cores neutras ou do mesmo grupo de cores, combinando entre si e formando diferentes "looks". "Evite roupas com estampas, dê preferência a tecidos que não amassem. Utilize acessórios - colares, brincos, lenços, encharpes, cachecóis, cintos ou pulseiras ? para valorizar e renovar os ?looks?", aconselha. "Além do mais, isso não ocupa muito espaço", incentiva.
Em maior quantidade, salienta a consultora, sempre deve haver mais peças de cima (camisas, blusas ou camisetas) e menos partes de baixo (calças, bermudas, saias, etc). Agasalho, orienta ela, é obrigatório, independentemente à estação. "Hoje em dia, sempre devemos levar um casaco ou malha, pois não dá pra confiar no tempo", conceitua. "As roupas mais delicadas e que amassam mais, como camisas e calças sociais, devem sempre ficar por cima", acentua a consultora. "Sapatos no fundo e (virados) para a parte debaixo", descreve.
A divisão entre as peças também é importante, enfatiza Lísia. "Sapatos devem sempre ser confortáveis e embalados em saquinhos de TNT. Quanto aos pijamas, a quantidade vai depender do tempo da viagem. Leve um saco para roupa suja, se possível de TNT ou algodão e um saco plástico para roupa úmida, bem como uma embalagem para roupas íntimas", ensina.
Um kit de primeiros socorros, além de uma pequena "farmácia" com remédios para dor de cabeça, estômago, febre ou gripe, devem integrar a lista de itens essenciais, bem como uma nécessaire com objetos de higiene pessoal.
Cada destino demanda a roupa essencial. Tanto em ambientes acalorados quanto para regiões de clima frio, a organização é sempre fundamental, reforça Lísia, diferenciando as bagagens para cada tipo de clima. "Para a praia não pode faltar: roupa de banho, saída de praia, chinelo de borracha, chapéu, protetor solar, hidratante pós sol, repelente, toalha e bolsa de praia", elenca. "Para regiões de clima frio, é fundamental um casaco bem quente. Uma segunda pele e um minhocão, ou meia-calça grossa são uma ótima opção", considera. Botas, de preferência de material que não umedeça, meias grossas, luvas e gorro, além de capa de chuva ou casaco impermeável, cita ela.