10 de julho de 2026
Geral

Entrevista da Semana: Denise Berriel Joaquim Taveira

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

Das quadras para as lentes

Guiando seu xodó, um inseparável Fusca ano 1959, Denise Berriel Joaquim Taveira chegou à entrevista trazendo simpatia e muitas histórias para contar. Histórias essas que, segundo ela, foram geradas em boa parte pelo tênis, esporte que praticou dos 7 aos 20 anos e que rendeu sua história de amor: "Meu marido, Luís Antônio, o Picolé, como é conhecido, foi meu aluno. Começamos a namorar e estamos casados há 28 anos".

Incentivada pelo pai a praticar esportes, hoje Denise também é figurinha garantida na torcida do Bauru Basquete ao lado do marido. "Picolé veio de Franca e faz parte da diretoria do Basquete de Bauru. Vejo a dedicação daqueles meninos e não poderia ser diferente, tenho cadeira cativa na torcida", afirma.

Com o olhar sensível para a fotografia, Denise faz parte do clube Focopoint e deu início ao projeto individual intitulado "Maternidade ? quarto 12", um trabalho que une filantropia e fotografia com o intuito de levar autoestima para as mães fotografadas com seus bebês na Maternidade Santa Isabel. "Foi uma oportunidade única que quero dar continuidade no próximo ano", garante.

Fotografar paisagens e viagens também fazem parte da vida pessoal da entrevistada que construiu sua carreira profissional na Caixa Econômica Federal e que vê na família seu alicerce. Estes e outros temas você confere a seguir.

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Jornal da Cidade - Sua "nota 10" é para um tenista. A paixão pelo tênis ainda é atual?

Denise Berriel Joaquim Taveira - Meu pai sempre foi apaixonado por esportes, por muitas modalidades, até fez educação física por hobby. Ele se casou aos 40 anos, teve três meninas e procurou uma modalidade que se encaixasse com a gente. Começamos com natação e depois nos voltamos para o tênis, esporte já praticado por toda a família. Dos 7 aos 20 anos de idade eu participei de torneios, foi a época forte do tênis na cidade. Considero o "seo" Cláudio Sacomandi como meu segundo pai, mas nunca me destaquei muito no tênis, minhas irmãs foram melhores. Contudo, considero que uma das coisas mais importantes da minha vida foi eu ter aprendido a jogar tênis. Tal esporte me ajudou em tudo.

JC - E o que significa esse tudo, exatamente?

Denise - Eu aprendi a ter método e horário de estudo, porque eu tinha de treinar todos os dias. Aos fins de semana precisava dormir por causa dos torneios. Tinha uma disciplina bastante grande e isso me proporcionou organizar muito bem a minha vida. Procurei passar essa educação vinda do esporte também para meus filhos. Tive sorte de conhecer uma pessoa dentro do esporte e tê-la ao meu lado até hoje, falo do meu marido, Luís Antônio, o Picolé, como é conhecido.

JC - Então o tênis também te trouxe o amor?

Denise - Principalmente isso (risos). Nos conhecemos por causa do esporte quando eu dava aulas de tênis do Vale do Igapó. Ele foi meu aluno e estamos casados já há 28 anos. Acredito que se eu não tivesse escolhido essa pessoa, minha vida não seria o que é hoje. Somos muito parecidos, ele é muito bacana e isso me deu uma tranquilidade de vida muito grande. A família para mim é muito importante. Temos um grupo muito unido que se reúne duas vezes por semana. Isso é algo muito presente e importante na minha vida. Conviver com minha mãe e minhas irmãs sem conflitos me deixa muito feliz.

JC - O basquete também chama a sua atenção?

Denise - Ah, sim. Meu marido é de Franca, jogava basquete lá e é apaixonado pelo esporte. Atualmente ele faz parte da diretoria do Bauru Basquete. E hoje também sou fã do basquete, principalmente pelo de Bauru. Sou torcedora mesma, de cadeira cativa e tudo. Vejo a dedicação desses meninos...Uma coisa linda.

JC - Profissionalmente já se sente realizada?

Denise - Eu fazia faculdade de engenharia quando me casei. Naquele ano, eu passei no concurso do Banespa. Então trabalhava e estudava. Depois que engravidei, optei por trancar a matrícula da faculdade porque achava que não podia abrir mão do meu emprego. Mais tarde voltei para a faculdade, mas para o curso de matemática, já tinha filho e a carga era menor. Não me arrependo. Depois passei em outro concurso, dessa vez da Caixa Econômica Federal, onde estou há praticamente 22 anos e fiz toda a minha carreira profissional. Já trabalhei na área de comunicação social, consultoria de canais e de um ano para cá, até por questão de ter mais tempo para mim e para as coisas que eu gosto, eu optei por trabalhar menos.

JC - Está desacelerando?

Denise - É isso mesmo. Eu quero ter mais tempo para curtir meus filhos que estão na fase de sair de casa. Acredito que não terei muito mais tempo para esse convívio diário com eles. Quero ter a chance de curtir isso. Falo em coisas pequenas e importantes, com ir ao supermercado e fazer coisas que eles gostem...Com mais tempo livre, também posso dar mais atenção à fotografia, algo de que eu gosto muito.

JC - Qual foi o olhar que revelou a fotografia para você?

Denise - Meu pai sempre gostou de fotografia. Porém, foi somente em 2003 que eu passei a me dedicar à fotografia. Fiz um curso e não parei mais. Surgiu a oportunidade de participar de um clube de fotografia, o Focopoint. Somos em 12 fotógrafos atualmente e nos reunimos todos os sábados para conversar e desenvolver projetos fotográficos em grupo ou individualmente.

JC - Você cita seu pai várias vezes. Ele exerceu grande influência em sua vida?

Denise - Muito. Perdi meu pai já há 15 anos, mas ele sempre foi muito presente em nossas vidas. Ele era um pouco mais velho e, por ter se aposentado, teve a chance de conviver muito com as filhas enquanto ainda éramos novas. Minha mãe saía para trabalhar e ele ficava em casa com a gente.

JC - Como nasceu o projeto "Maternidade - quarto 12"?

Denise - Sempre tive vontade de realizar um trabalho filantrópico que envolvesse a fotografia, mas não sabia qual ou como. Como passei a trabalhar apenas no período da manhã, eu tive a oportunidade de me dedicar a esse projeto pessoal. No final do ano passado, encarei uma proposta do Olício Pelosi de fazer fotos de pessoas que não tinham fotos e depois presenteá-las. Logo pensei nos bebês recém-nascidos da maternidade. Conversei com a direção que autorizou o trabalho. Foi uma experiência única.

JC - Qual é a proposta desse proj
eto?
Denise -
Vou sempre ao mesmo quarto, o número 12, onde há seis leitos com mães carentes. E é muito legal, uma festa. Eu levava maquiagem, pente, presilhas, acessórios...Tudo para que elas se sentissem bonitas para fotografar, já que a proposta é melhorar a autoestima dessas mães. Essa primeira experiência aconteceu no início de dezembro do ano passado, e a direção da maternidade me incentivou a dar continuidade ao trabalho. Durante uns quatro meses de 2011, eu fui todas as quinta-feiras no quarto 12 para fotografar as mães com seus filhos, conversar e conhecer um pouco mais da vida dessas mulheres.

JC - A cada mãe uma história...

Denise - Certamente. Conheci histórias de meninas que foram mães aos 15 anos, outras que estavam tendo seu 11º filho, mães de gêmeos, de bebês que nasceram com seis quilos... Há aquelas que pegam seus bebês e vão para casa de ônibus ou a pé...Algumas com namorados ou maridos, outras, sozinhas. Tive a chance de conhecer de perto a realidade dessas mães quando fui levar as primeiras fotos até a casa delas. E, recentemente, as primeiras crianças fotografadas completaram um ano. Fui até elas fazer novas fotos e pretendo continuar com o trabalho. Foi muito gostoso ver que aqueles bebezinhos já estão começando a andar...

JC - A intenção é continuar com o projeto?

Denise - Quero dar continuidade a esse projeto, sim. Infelizmente a Associação Hospital está passando por um momento muito delicado e isso inclui a Maternidade Santa Isabel. Então, esse é o motivo pelo qual o projeto está suspenso temporariamente até as coisas se normalizarem. A maternidade faz outros trabalhos e minha intenção é também fotografar as gestantes a partir do próximo ano para trabalhar a autoestima dessas mulheres.

JC - Pensa em fazer uma exposição com essas fotos?

Denise - Já participei de a lgumas exposições coletivas com o Focopoint, mas sozinha não pretendo. Gosto muito de fotografar pessoas, mas fazer fotos de paisagens e de viagens também me agradam.

JC - E você viaja com frequência?

Denise - Eu gosto muito de viajar. Sempre que posso eu coloco os pés na estrada. Eu e meu marido fizemos uma viagem para o Peru, para conhecer Machu Picchu, e fizemos o "Caminho Inca" a pé. Foram quatro dias de caminhada e acampamento.

JC - Outra viagem dos sonhos?

Denise - Meu sonho de viajem é percorrer a América Latina de carro, com tempo e tranquilamente. É um projeto nosso para depois da aposentadoria.

JC - Qual é o sentido da vida para você?

Denise - Sou uma pessoa de muita sorte por ter nascido em uma família de classe média, ter estudado e praticado esportes. Dar o meu melhor é uma forma de retribuir o que a vida me deu, sem pensar em recompensa. Para mim, esse é o sentido da vida.

Perfil

Nome: Denise Berriel Joaquim Taveira

Idade: 47 anos

Local de Nascimento: Bauru

Signo: Capricórnio

Marido: Luís Antônio

Filhos: Laura e Ricardo

Hobby: Tênis de campo e fotografia

Livro de cabeceira: "Cem Anos de Solidão"

Filme preferido: "Diários de Motocicleta"

Estilo musical predileto: MPB e bossa nova

Time: Santos, por causa da família, e São Paulo

Para quem dá nota 10: Para Gustavo Kuerten, o Guga, pelo conjunto da obra

Para quem dá nota 0: Para ninguém

E-mail: denisebjt@hotmail.com