09 de julho de 2026
Articulistas

Estamos perdendo tempo?

Ricardo Coube
| Tempo de leitura: 3 min

Passei recentemente por Recife, Pernambuco, e pude observar o que está acontecendo naquele Estado, com ênfase na região de Recife, em termos de obras e investimentos de todo tipo. Trata-se de um ritmo de obras e crescimento econômico para deixar qualquer chinês com inveja. Além de infraestrutura, empresas se instalam, expandem e a busca por trabalhadores movimenta o interior do Estado, pois falta pessoal qualificado para tanta demanda.

Os principais fatores para esta revolução são: o Porto de Suape crescendo, estádio e obras para a Copa do Mundo de futebol, empresas novas se instalando e outras expandindo, além do turismo e ação governamental proativa. O governador Eduardo Campos é presidente de partido político, forte e influente politicamente, tem planos para carreira política com visão e objetivos para chegar em Brasília. Empresas bauruenses já participam deste promissor e atraente mercado. No interior paulista, Sorocaba e Ribeirão Preto são bons exemplos de cidades que recebem novos investimentos e se desenvolvem em ritmo chinês. Existem outras cidades e regiões que atraem investimentos e melhoram a qualidade de vida para as pessoas. O interior de São Paulo já é o maior mercado desse País.

No Brasil, os casos bem sucedidos de atração de investimentos, além de projetos direcionados e facilidades, existe um forte trabalho político e apoio público e privado na soma de esforços na implementação e execução do plano existente. Recentemente, soubemos que muitas empresas nos consultaram sobre investimentos na cidade, e por falta de ambiente e condições de incentivos fiscais optaram por investir em outras cidades e regiões. Imagino que falta área física para ser oferecida também. Estamos discutindo um projeto de incentivo a novos investimentos - PAI. Percebe-se que o ambiente político não é unânime e muitas dúvidas existem sobre o conteúdo e intenções do projeto.

Na verdade, fico com a opinião que estamos perdendo tempo e oportunidades, pois o nosso País deverá crescer, se modernizar e melhorar muito a qualidade de vida e renda na próxima década. Os governos federal e estadual estão preocupados com o futuro da indústria nacional em função da competição global. Incentivos setoriais estão sendo criados para estimular o crescimento e inibir a importação de produtos. Não seria este o momento político e econômico de reivindicarmos apoio político e condições para o desenvolvimento de nossa região? Não deveríamos trabalhar com visão regional? Além de incentivos municipais, não deveríamos reivindicar incentivos estaduais (ICMS) e crédito para que empresas pudessem instalar aqui suas plantas, aproveitando os recursos humanos das universidades, faculdades e escolas técnicas? Além da logística e infraestrutura? As perdas das empresas e investimentos citados pelo prefeito parece que não comoveu ou sensibilizou. Parece normal. Perderemos outras empresas em breve e a cidade e região aparentam não se incomodar. Perder indústrias será bom para o nosso futuro? É normal? Eu acho que, em função do potencial que temos em vários aspectos importantes tão comentados e conhecidos, resta-nos ousar e desenvolver ambicioso plano de atração de investimento e apoio a expansão das empresas existentes. Se não fizermos a lição de casa, outras cidades farão. Vamos nos inspirar nas lições de bauruenses como o dr. Ozires Silva, o astronauta Marcos Pontes e tantos bons e maravilhosos exemplos conhecidos e unir pessoas do setor público e privado que possam ajudar neste processo. Sucesso!


O autor, Ricardo Coube, é diretor presidente do Grupo Tiliform