O professor Carlos Correa Vianna era vereador, do partido do Adhemar de Barros, num tempo em que vereador não tinha nenhum ganho; era serviço prestado à comunidade, sem nenhuma remuneração.
Durante a semana ele trabalhava em sua profissão de professor e diretor de escola primária e nos finais de semana atendia na sede do partido, aos que vinham se filiar e/ou pedir algo.
Com uma caneta e um cadernão à frente ele indagava primeiro o nome da pessoa, depois o pedido.
- Como é o seu nome, moço?
- Non é Sebastião.
- Sim, não é Sebastião. Então como é?
- Non é Sebastião.
- Sei, você já falou que não é Sebastião. Então como é?
Como ele repetisse mais uma vez e sempre aquela mesma resposta, o professor Vianna pediu a ele um documento em que constasse o nome. Com desconfiança e má vontade ele deu um título de eleitor, único documento que tinha em mãos, no qual constava o nome: Noé Sebastião. O homem era fanhoso!
Contada por Isolina Bresolin Vianna