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João Rosan |
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O JC foi ontem à casa do jovem acusado de tráfico |
Um traficante de aproximadamente 1,40 metro e 35 quilos, que comercializa crack enquanto, entre tragadas de cigarro, brinca de skate e enrola linha de pipa. A cena, tão contraditória quanto trágica, foi captada por câmeras amadoras de moradores do Parque Jaraguá nesta semana para escancarar uma realidade que vem ameaçando a vida de crianças em Bauru.
O traficante em questão era um menino de 12 anos recém-completados, que foi aliciado para o tráfico provavelmente por criminosos maiores de idade. Além dele, pelo menos outros dois garotos com estrutura física semelhante também aparecem no vídeo.
Na área central da cidade, uma menina de 11 anos furtou diversos estabelecimentos comerciais, na tarde de anteontem, na companhia de uma mulher adulta (leia mais abaixo). A garota foi detida pela Polícia Militar (PM) e liberada no mesmo dia, poucas horas antes de o menino também ser apreendido no Parque Jaraguá.
O infrator passou a noite no Núcleo de Atendimento Integrado (NAI) da Delegacia da Infância e Juventude e, ontem, também recuperou a liberdade. Ambos, entretanto, continuarão respondendo a inquérito pelo crime que cometeram.
A perda de crianças para o crime, de acordo com o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, ainda não se tornou tão comum quanto ocorre com adolescentes. Por este motivo, ele diz que medidas drásticas precisam ser tomadas pelo poder público para evitar que uma geração inteira deixe de existir - seja por estarem mais suscetíveis a mortes violentas, ou por abandonarem todas as oportunidades e conquistas que poderiam obter ao longo da vida.
“Estas crianças, por lei, estão proibidas de trabalhar. Também não possuem educação em tempo integral ou mesmo opções de lazer. A pedra de crack é comprado a R$ 5,00 e vendido a R$ 10,00, um negócio que oferece 100% de lucro. Com a personalidade em formação, é difícil elas resistirem”, avalia.
O aliciamento de crianças é uma forma que criminosos vem encontrando para renovar seus ‘exércitos’ e, ao mesmo tempo, usá-las como escudo e garantia de impunidade. De maneira geral, segundo Maintinguer, os recrutados são aqueles que demonstram maior vulnerabilidade: crianças - mais facilmente influenciáveis - oriundas de famílias de condições sociais precárias e que permanecem desocupadas durante todo o dia ou boa parte dele.
O menino que foi apreendido traficando crack, por exemplo, não frequentava a escola há pelo menos três meses, segundo relato de vizinhos. Embora tenha sido descrita como uma criança educada e sem nenhum traço de agressividade, ele se tornou presa fácil quando foi apresentado à oportunidade de ganhar dinheiro rápido.
“Ele era um bom menino, respeitoso. Sempre dizia “com licença”, “obrigado” e brincava de videogame, bola e pipa com as crianças do bairro. Só não queria saber de estudar”, conta uma vizinha, que preferiu não se identificar.
Descuido
Tanto o pai quanto a mãe do garoto já haviam relatado que desconheciam o fato de o filho estar envolvido com o tráfico de drogas. Segundo a mulher, ela teria descuidado do menino nos últimos 20 dias, porque precisou dar maior atenção ao marido, que fraturou o fêmur ao cair de uma árvore.
A mãe do menino trabalha como diarista e o pai, como jardineiro. O casal mora em um cômodo alugado no Jardim Prudência com mais um filho, além do garoto de 12 anos, que é o caçula de quatro irmãos. “Por causa do acidente com o marido, a mãe e o pai pararam de trabalhar e não ganharam nada neste mês. Não sei se o menino decidiu fazer isso para ajudar a família. Talvez tenha sido convencido por alguém que sabia da situação dele”, analisa uma outra vizinha.
Já a menina de 11 anos, segundo um parente, é a mais rebelde de cinco irmãos, com quem mora junto à mãe e ao padrasto do bairro Nova Esperança. “Ela briga na escola de vez em quando, mas nada de tão grave. Esta é a primeira vez que ela tem problemas com a polícia”, afirma.
Mas vizinhos contradizem a versão do familiar. Segundo um deles, recentemente a menina foi flagrada por moradores furtando um aparelho celular de um veículo que estava estacionado na rua de sua casa. “E algumas pessoas da família usam drogas, ninguém trabalha. As brigas e gritaria são constantes entre eles. Ela tem um irmão que não vai para a escola e ela está matriculada, mas está mais na rua do que na sala de aula”, completa.
Atualmente, em Bauru, há 93 adolescentes cumprindo medidas sócio-educativas, por determinação da Justiça, junto aos programas desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Bem-Estar Social (Sebes). Estima-se que 32 deles tenham sido punidos por envolvimento com o tráfico. Segundo dados oficiais da cidade, 57 crianças e adolescentes que praticaram furtos ou comercializaram drogas estão sendo acompanhadas em 2011. Em todo o ano passado havia 44.
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Menino não ficou preso por ser pequeno demais, sentencia juiz
De acordo com o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, o menino de 12 anos que foi surpreendido anteontem traficando drogas no Parque Jaraguá foi liberado por ainda ser uma criança. Por este motivo, não teria condições de ser internado na Fundação Casa ou mesmo cumprir medidas sócio-educativas.
“A lei prevê que o infrator que não tenha estrutura física adequada para suportar o cumprimento da medida pode ser dispensado. Além disso, ele tem família, que compareceu ao Ministério Público e demonstrou ter condições mínimas de acompanhá-lo em casa”, detalha o magistrado, garantindo que a criança continuará a responder o processo, mesmo em liberdade.
Menina de 11 anos furta lojas no Centro
Uma menina de apenas 11 anos furtou diversas lojas comerciais da área central de Bauru no começo da tarde desta segunda-feira. Os delitos foram confessados por ela mesma aos policiais militares.
De acordo com o boletim de ocorrência, os PMs foram avisados sobre os furtos e durante patrulhamento pela região encontraram a criança em companhia de uma mulher, que fugiu ao avistar a viatura. Indagada, a criança confessou que havia subtraído os produtos das lojas com a ajuda de uma pessoa identificada apenas como Vanessa, e que esta moraria perto de sua residência, no bairro Nova Esperança. Ela estava em posse de uma bolsa feminina, três chinelos, dois tênis, dois tapetes, um abajur, três peças de lingerie e um biquíni.
Por ser menor de idade, a garota foi entregue à sua genitora. Os objetos foram apreendidos e serão devolvidos aos respectivos donos.
Adolescente é apreendido com crack e maconha na Pousada da Esperança
Mais uma vez, um adolescente foi apreendido por tráfico de drogas em Bauru, ontem. O rapaz, de apenas 15 anos, foi surpreendido comercializando maconha e crack na quadra 1 da rua Ramiro Vieira, na Pousada da Esperança 2. Além da droga - cujo volume não foi confirmado, foram apreendidos R$ 250,00 em dinheiro. O infrator morava no bairro e já tinha passagem pela polícia por roubo. Ele foi encaminhado ao Plantão Policial e, até o fechamento desta edição, ainda era ouvido pelo delegado.