Uma semana depois de os ginecologistas e obstetras da Maternidade Santa Isabel informarem que pretendem abandonar o trabalho, os médicos do Hospital de Base (HB) avaliam a possibilidade de fazer o mesmo. Conforme determinado em reunião realizada na noite de ontem entre chefes de serviço da unidade, uma assembleia deve ser marcada na semana quem vem para que a proposta de desligamento seja submetida à apreciação dos profissionais do corpo clínico.
Se aprovada, a intenção é de que eles deixem o HB 30 dias depois de formalizarem a decisão, do mesmo modo como ocorreu na maternidade. "Transcorrido este período, os médicos continuarão cuidando apenas dos pacientes que já estiverem internados, até que recebam alta ou sejam transferidos. Os que chegarem depois não serão mais aceitos", salienta o médico urologista Carlos Alberto Monte Gobbo, membro da Associação dos Médicos Ativos e Inativos (Amai) da Associação Hospitalar de Bauru (AHB).
Ainda hoje, a categoria deve divulgar um manifesto para expor à população os motivos para a adoção da medida drástica. "É lamentável que tenhamos chegado a este ponto, mas os médicos não possuem mais condições psicológicas ou de segurança para trabalhar. As carências do hospital se multiplicam diariamente e não podemos mais continuar expondo a população a riscos", argumenta.
Com a decisão, a entidade espera pressionar a Secretaria de Estado da Saúde a definir o único impasse que ainda atravanca a transferência de gestão do hospital e da maternidade, atualmente administrados pela AHB. A Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) permanece disposta a assumir o comando de ambos, mas existe um desacordo sobre quem - o órgão ou a secretaria - custeará os valores envolvidos na demissão dos funcionários e em que regime eles serão recontratados.
A proposta da Famesp é de que a pasta financie as rescisões e que a fundação refaça, no mesmo dia, os contratos, que vigorariam por um ano, quando um concurso público seria realizado. Segundo apurou o JC, haveria um impeditivo jurídico para o Estado custear os encargos trabalhistas.
Por este motivo, a secretaria teria orientado os funcionários a pedir demissão com a garantia de recontratação no dia seguinte, o que não foi aceito pela categoria. Há cerca de um mês, em reunião realizada com o secretário Giovanni Guido Cerri, o presidente da Famesp, Pasqual Barretti, reafirmou que a fundação não assumirá a dívida.