Os arrecifes de corais, as formações rochosas e os navios naufragados fazem da costa de Porto de Galinhas um dos melhores locais para mergulho. As águas são claras e mornas e existe toda uma infraestrutura na vila para mergulho de iniciantes e profissionais, em profundidade de até 33 metros. Os visitantes também podem fazer cursos de mergulho que os credenciam a participar de expedições em passeios noturnos e cavernas marinhas. Mestre Michel Russi, mergulhador suíço que se encantou com as praias e o ambiente do litoral pernambucano e decidiu ficar, tem uma das melhores escolas de mergulho do país, que expede certificados de aceitação internacional. Ele explica que a melhor época para mergulhos vai de outubro até março. Setembro e abril já são meses de transição. Nesta época do ano a temperatura da água é de 27 graus e a visibilidade vai de 10 metros nos arrecifes próximos até 25 metros em alto mar. A Aicá Diving (www.aicadiving.com.br) tem aulas especiais para garotos de 8 a 12 anos, que são levados para o "batismo" de mergulho em profundidades de até 2 metros. Os adultos têm aulas e práticas para mergulhos entre 5 a 6 metros. Os instrutores também dão aulas de fotos subaquáticas e de integração com o ambiente submarino. Lanchas especiais para mergulho levam os alunos aos melhores locais. Alguns deles têm barcos naufragados que se transformaram em viveiros de peixes coloridos. Exemplares de grande porte também podem ser vistos e fotografado como a barracuda, o cação e o mero. Roupas e tubos, tubos de ar, nadadeiras podem ser alugadas ou adquiridas.
Gastronomia regional e internacional
O plantio da cana-de-açúcar tornou-se responsável pela prosperidade de Pernambuco entre os séculos XVI e XIX. Reunindo escravos africanos, índios nativos e colonizadores portugueses, a região transformou-se num grande caldeirão cultural, onde nasceram manifestações como o maracatu rural, com os seus coloridos caboclos de lança, o cavalo-marinho e o reisado. No réveillon o coco, o xaxado e o forró pé de serra animam as festas da virada e as tornam inesquecíveis para o turista, tal a alegria contagiante. A gastronomia local é calcada nessas raízes. Nos engenhos de cana nasceu o fascínio do pernambucano pelos doces. Nego-bom, cocada, bolo-de-rolo, e bolo Souza Leão. Os restaurantes de Porto de Galinhas servem carne de sol com macaxeira e feijão-verde. A mandioca (ou macaxeira) era chamada pelo folclorista pernambucano Câmara Cascudo de Rainha do Brasil. No século XV os portugueses aprenderam com os índios a apreciá-la nas refeições.
Da mistura da cozinha sertaneja com a gastronomia internacional surgiram criativos pratos de resistência e de sobremesas no Porto de Galinhas. O famoso restaurante Beijupirá (filiais em Fernando de Noronha e outras quatro praias) inventou o Lagostanga ? lagosta servida na manteiga acompanhada de fatias de manga grelhadas e arroz de aipo. E há as derivações, como o Beijumanga (peixe com molho chutney de manga), o Beijupitanga, acompanhados com arroz de coco. Camarão na cerveja empanados e patinhas de caranguejo são alguns dos aperitivos. E por aí vai. O Domingos Restaurante, dirigido pelo próprio é um dos mais badalados. Imperdível o camarão tropical, servido dentro de um abacaxi e flambado com uísque, acompanhado de arroz de castanha-de-caju. Na sobremesa, sorvete de tapioca e a tradicional cartola ? banana assada envelopada em queijo de coalho derretido, polvilhado com açúcar e canela. Chef Domingos oferece às sextas-feiras um festival de lagosta, a R$ 69,00, com três opções. O segundo prato é por conta da casa. Sábado é dia de feijoada.
Gato de Rua é uma instituição criada pelo designer Beto Kelner que reúne mais de setecentas famílias pobres de Pernambuco para trabalhar na confecção de um fino artesanato que se utiliza de material reciclado. Garrafas pet são transformadas em contas acrílicas e com elas são fabricadas uma grande variedade de objetos coloridos, como bolsas, apliques, luminárias. Das latinhas de alumínio saem esculturas de alto valor artístico. O turista passa pela loja ? é impossível deixar de comprar alguma coisa e depois sobe a escada para o restaurante sofisticado no segundo piso. O peixe ao molho de camarão é uma boa pedida. Os hotéis da orla servem almoço e jantar para os hóspedes, em sistema de bufê, com pratos de primeira qualidade e muita variedade.
O Reino dos Baobás
Aquela árvore troncuda que ilustra "O Pequeno Príncipe", de Saint-Exupéry e que ocupava todo o asteróide do garoto louro, chama-se baobá. Perto de Porto de Galinhas existem vários exemplares da Audasonia digitata, nome científico da árvore trazida pelos escravos africanos de Moçambique e da Ilha de Madagascar. O tronco chega a medir 30 metros de grossura. São precisos pelo menos dez adultos para abraçar um exemplar de 140 anos. Os galhos curtos do baobá formam interessante contraste com o grande diâmetro do tronco.
Bem pertinho do Recife
Distante apenas 63 quilômetros do Recife, Porto de Galinhas é facilmente acessível para quem quer viajar sem pacotes turísticos. O bauruense pode viajar pela Trip com uma única passagem. Faz conexão em Guarulhos para o avião da Tam e desembarca no Aeroporto de Recife depois de três horas e meia de voo. No aeroporto pernambucano a Luck Receptivos leva o turista a qualquer hora para o hotel, em Porto de Galinhas, por R$ 40,00 por pessoa.