"Fure a lua com um cabo de vassoura, baby. Eu deixo". "Nunca choro por nada, nem por ninguém. Assim, não choro por ti. Minha mágoa no peito guardada sai, meu bem (no xixi)". Inusitadas, provocantes e com várias pitadas de humor: assim são as poesias do escritor e professor de literatura Luiz Vitor Martinello. Uma verdadeira reunião de "lixeratura", como ele mesmo gosta de referenciar, pode ser vista no livro "Para o Sol Dia de Chuva é Feriado", em que o próprio título já nos incita o riso e nos convida para uma leitura ousada, criativa e um tanto irreverente.
O lançamento da mais nova obra do escritor será hoje, na Livraria Nobel, a partir das 10h30. Na oportunidade, a Cia Protótipo Tópico fará uma performance com os poemas do livro.
Em "Para o Sol Dia de Chuva é Feriado", as poesias de Luiz Vitor ganham forma e corpo com um "toque" mais que especial: as ilustrações de Wellington Leite. "Queria um livro em que os poemas fossem de ponta-cabeça, organizados de uma maneira bem criativa. E assim surgiu a parceria com o Wellington Leite", ressaltou o escritor.
A obra, considerada infanto-juvenil, é voltada também para adultos com "alma de criança". Ela ainda pode ser utilizada por professores, pois potencializa o ensino literário: nos curtos poemas dispersos de forma um tanto irreverente pelas páginas, é possível estimular o gosto pela leitura e pela linguagem literária, pois os textos são carregados de rimas, metáforas, paradoxos, antíteses, entre outros aspectos, trabalhados de forma simples e atraente.
Reunião de poemas
Luiz Vitor conta que sua mais recente obra reúne poemas que na verdade já percorreram escolas e fizeram parte do dia a dia de vários alunos, como o próprio Wellington destaca. "Foi um presente poder ilustrar o livro do professor. Eu cresci lendo suas obras e também fui seu aluno. Além de me incentivar a ler, ele me proporcionou este trabalho como ilustrador", frisou Wellington Leite.
"Sempre dei palestras sobre literatura e poesia para as crianças (notadamente nas feiras do livro infantil, nas escolas) e nessas palestras, sempre declamava minha lixeraturinha. Ao final das palestras, sempre perguntavam onde poderiam encontrar os poemas que então eu declamava", contou o escritor, que também é autor de "Mãos nos Bolsos", "Os Anjos Mascam Chiclete", "Lixeratura", "Me Apaixonei Por Mim, Mas Não fui Correspondido", "Gosto dos Dias de Muito Sol, Só Pra Ficar na Sombra", "Gabriela e os Olhos Dela", "Sapato que Sabia Andar" e "O Penuginha".
? Serviço
Lançamento do livro "Para o Sol Dia de Chuva é Feriado", de autoria de Luiz Vitor Martinello e ilustrações, diagramação e capa de Wellington Leite. Hoje (sábado), a partir das 10h30, na Livraria Nobel (rua Alberto Segalla, 1-80).
Mas por que "lixeratura"?
Quebra de paradigmas é uma expressão de ordem que acompanha as obras do professor Luiz Vitor Martinello. "Se chama lixeratura porque eu sou uma espécie de ?anti-poeta?. Como definiu Platão, existe o mundo das idéias, em que tudo é ideal e perfeito, mas também existe o mundo da caverna. Eu sou o poeta do mundo da caverna, reflito nossas imperfeições humanas, brinco com elas", explica.
Então, seguindo a perspectiva da "lixeratura", os poemas de Luiz Vitor são interativos e carregados de conotação, não são ordenados de forma objetiva e dialogam com as ilustrações do livro. "A proposta é que o livro fosse feito no molde de ?toalhas? de bar. Tentei fazer piadas com os desenhos que criei em meio aos textos", comentou Wellington, que também é locutor das rádios FM Veritas e Unesp. "O professor Luiz Vitor Martinello consegue dar outro sentido para a literatura, faz textos que nos permite interagir com eles. E justamente a ideia era essa: desvincular a literatura de algo tido como sagrado, divino e mostrar que podemos brincar com ela", complementa.