11 de julho de 2026
Política

Estado mantém as vagas do ensino médio no Rasi

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Surtiu efeito a mobilização de pais, mães e alunos da escola estadual Walter Barreto Merchelt, no Núcleo Octavio Rasi, para evitar que as turmas de ensino médio fossem encerradas na unidade a partir do ano que vem. Na manhã e na tarde de ontem, eles se reuniram na frente do local com cartazes reivindicando a manutenção das vagas com a abertura de turmas no período noturno.

A confirmação de que o pedido seria atendido partiu da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. O órgão informou que, após três reuniões da direção unidade escolar com pais de alunos, a última delas envolvendo votação, ficou definido, em comum acordo com a comunidade escolar, que a unidade passará a oferecer o ensino médio no período noturno. Os que optarem por estudar no período da manhã ou tarde serão transportados gratuitamente para uma escola mais próxima.

O encerramento das classes de ensino médio fora cogitado pela Diretoria Regional de Ensino de Bauru por conta do aumento da demanda na escola do Núcleo Octávio Rasi, que recebeu 400 famílias com a entrega do conjunto habitacional do programa ?Minha Casa Minha Vida?, além de outras 132 de um empreendimento habitacional da Rodobens.

A partir disso, o poder público entendera que deveria priorizar o atendimento local aos alunos do ensino fundamental, oferecendo vale transporte para os mais velhos, do ensino médio.

Os pais e os próprios adolescentes, porém, não se conformaram com a possibilidade de serem transferidos para outra unidade escolar, como mostrou o Jornal da Cidade em reportagem publicada no dia 9 de dezembro.

A auxiliar de enfermagem Silvia Regina Precidone Gonçalves foi uma das líderes da mobilização e articulou um abaixo assinado para que a direção da escola abra turmas no período noturno. Ela afirma que seu filho, de 16 anos, e outros alunos estudam no local desde criança e há uma relação de confiança estabelecida junto aos pais. "Nós moramos do lado da escola. Não tem cabimento que essas transferências aconteçam", afirma.

Esse é o mesmo caso da dona de casa Maria de Fátima Domingues da Silva. O filho dela tem 13 anos e vai cursar a oitava série do ensino fundamental do ano que vem. Ela conta que a direção da escola ainda não confirmou se haverá vagas para a turma dele. "Meu filho tem problemas de saúde e, qualquer coisa que acontece, a escola me liga e eu venho buscar o menino. Não tenho a mesma segurança de que será igual em outra escola", afirma.

Além da possibilidade de encerramento de turmas, as mães de alunos estão indignadas com a falta de definições sobre o ano que vem. Muitas, inclusive, já assinaram documento aceitando a transferência de seus filhos, mesmo contrariadas.

Zona rural está preocupada

Enquanto alguns se satisfazem apenas com a abertura de vagas no período noturno, a alternativa não basta para outros. A pensionista Clara Maria Rodrigues Silveira também não aceita que a filha de 15 anos mude de escola. No entanto, explica que a menina não teria como ir à unidade no período noturno.

Elas moram no Jardim São Judas, na zona rural de Bauru. Atualmente, a garota é atendida pelo transporte escolar subsidiado pela prefeitura, mas que não funciona à noite. O transporte coletivo comum, por sua vez, não chega onde moram depois das 23h. "Não tenho como pagar um escolar. Nossos filhos estão aqui desde o início da vida escolar e têm o direito de permanecer", enfatiza.

Desarticulação

Um dos fatores apontados como responsável pelo problema no Rasi foi a falta de planejamento do poder público ao não promover ações integradas entre as políticas de habitação e prestação de serviços básicos, como saúde e educação. Os próprios secretários municipais Fernando Monti e Vera Casério informaram que não foram chamados para conversar sobre o programa ?Minha Casa Minha Vida? e seus impactos na região.