09 de julho de 2026
Geral

CPFL arma estratégia para verão

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

Ao que se projeta pelo período de chuvas fortes antes mesmo do verão começar, tudo indica que o tempo irá contribuir para interrupções de energia elétrica nos próximos meses. A CPFL Paulista promete colocar de prontidão um esquema de equipes de manutenção para restabelecer no menor tempo possível o corte de energia, na tentativa de amenizar os transtornos de desligamentos prolongados aos consumidores. O verão começa no próximo dia 21.

Ontem, a concessionária de energia que atende Bauru anunciou seu 16º Plano Verão 2011/2012 reunindo parceiros, imprensa e comunidade para demonstrar na teoria como será a prática de enfrentamento dos contratempos típicos da estação do calor.

Prevendo o que virá nos próximos meses, o gerente de serviço de rede da Regional Noroeste, Francisco Carlos Martins, apresentou a estratégia. "É lógico que deveremos ter problemas porque, ano a ano, a natureza está mais rebelde", define.

Investindo em Bauru, a concessionária já trocou 44 quilômetros de cabos elétricos e 40 transformadores do quadrilátero entre a ferrovia, avenida Duque de Caxias, rua Engenheiro Saint Martin e rua Monsenhor Claro. A melhora desse ponto da cidade começou pela avenida Rodrigues Alves. A empresa não fez somente uma troca do antigo pelo novo. O investimento priorizou a atualização tecnológica da rede. A nova ocupa menos espaço e se adapta melhor com a arborização inadequada na zona urbana de Bauru.

De acordo com Martins, os cabos compactos podem diminuir eventuais cortes no fornecimento de energia, causados pelo contato com pássaros, vandalismo e o toque de galhos de árvores. A mesma tecnologia substituiu a rede em locais onde há os "gatos", pratica que invariavelmente provoca problemas de fornecimento de energia.

Investimento


Com investimento de R$ 23,7 milhões neste ano no município, a concessionária aumentou em 60% a capacidade de fornecimento de energia da subestação localizada no Parque São Geraldo, a mais antiga de Bauru. A subestação ganhará transformadores que vão injetar 30 MVA (megavolt-ampere) a mais na rede, passando dos 50 para 80 MVA. Os mais de R$ 23 milhões irão ser investidos na central, na construção de circuitos alimentadores e reforma de condutores para levar a energia até os pontos de consumo. A cidade possui quatro subestações.

Aproximadamente dois terço do tempo em que o consumidor tem o fornecimento de energia interrompido referem-se a problemas externos na rede. Como a fiação é aérea fica exposta a queda de raios, pipas, balões, galhos de árvores, árvores e colisão de veículos contra postes, tipo de incidente comum em Bauru onde ocorre uma batida por dia em média. Martins ainda cita que os vendavais lançam contra a rede telhas, coberturas metálicas, calhas e outdoors. O gerente lembra que a rede é projetada para se desligar por segurança quando o sistema identifica algum problema.

O verão representa para a CPFL demanda ampliada por avarias na rede. Para atender com maior agilidade 110 municípios da região de Bauru, Martins esclarece que é possível realocar equipes próprias e contratadas para situações emergenciais. O gerente explica que, entre o período de 2012 e 2016, a empresa investirá nas redes inteligentes (smart grid).

No Centro de Operação em Bauru, há o monitoramento da rede, por sistemas inteligentes, e analisando dados climáticos repassados pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru.

Canais de atendimento

Os canais de atendimento também alimentam a concessionária com informações vindas dos clientes. Martins esclarece que a CPFL sabe quando há problemas e onde na rede. Contundo, o gerente compreende a ansiedade que torna o consumidor impaciente pela interrupção no fornecimento. Assim, além do telefone 0800, a empresa amplia seus canais de comunicação com o cliente oferecendo a oportunidade de contato pelo site www.cpfl.com.br e por torpedo de celular (SMS). Em texto explicativo em seu site, a concessionária define o torpedo como "simples e mais rápido do que o atendimento do Call Center".

A empresa orienta que basta o cliente digitar seu código de consumidor disponível na conta e enviar para 27351. Ainda segundo a CPFL, a mensagem não representa custo ao cliente que receberá a resposta em poucos minutos, por escrito, junto com o número do protocolo de atendimento. Quem enviar outro tipo de solicitação receberá como resposta o canal de comunicação adequado para o atendimento de sua solicitação.

Martins cita que as parcerias com a sociedade também são fundamentais para que a concessionária tenha condições de dar respostas mais ágeis para seus consumidores. Prefeituras, Defesa Civil, Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, policiamento rodoviário e concessionárias de rodovias, são aliados.

Bauru ganha reservatório para região do Mary Dota; Rodrigo pede reforma da ETE em 2012

Na apresentação do Plano Verão, ontem, o presenteado pela CPFL foi o prefeito Rodrigo Agostinho, que completou 34 anos na última segunda-feira. Em tom de comemoração, Rodrigo disse ao JC que a dificuldade de reservação na região do Mary Dota contará, agora, com um reservatório com capacidade para armazenar 2 milhões de litros e construído pela CPFL, no Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000), no final da avenida Doutor Marcos de Paula Rafael.

O prefeito explica que o reservatório foi construído pela concessionária como contrapartida de uma parceria do município com a empresa e entra em fase de testes para começar a operar definitivamente.

Na perspectiva de aproveitar os padrões de eficiência energética da CPFL, o prefeito já apresentou dois novos pedidos. Para o ano que vem, Rodrigo solicitou a troca dos semáforos de lâmpadas incandescentes por luzes de led que, conforme Rodrigo, são mais eficientes e econômicas. A outra solicitação também visa eficiência na utilização de energia com a reforma da Estação de Tratamento de Esgoto. De acordo com o prefeito, a ETA tem vários problemas como vazamento e que exige o bombeamento quase que intermitente, com desperdício de energia.

O prefeito explica que, para a concessionária, é interessante ter economia com energia no setor público, com tarifa mais barata, e que poderá ser repassada para o setor privado, com tarifas mais elevadas. Rodrigo ainda lembrou que, em 2012, passa a vigorar uma norma da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que acaba com o monopólio das concessionárias de energia elétrica sob a iluminação pública. Atualmente, a Prefeitura de Bauru contrata a CPFL, porém terá que licitar o fornecimento. "Pode ser que melhore o preço pela concorrência", sugere Rodrigo.