08 de julho de 2026
Articulistas

Bom final de ano

Antonio Delfim Netto
| Tempo de leitura: 3 min

Enquanto uma boa parte das economias do mundo está caindo aos pedaços, os Estados Unidos (que estava "escalado" para ser "o patinho feio do pedaço") surpreende e entra em recuperação, a China cresce menos, enfrentando problemas internos, porém, se mantém relativamente com bom fôlego e os países da zona do Euro (sem surpresas além das más notícias) terminam 2011 em situação bastante delicada. Esses países do Velho Continente não entram em acordo sobre o fato que somente se constituindo numa verdadeira Federação, com um poder central apto a redistribuir renda entre os seus membros, vão continuar com os mesmos problemas por toda a década.

A resistência em chegar a decisões políticas que conduzam a região a uma forma de organização federativa como as que existem no Brasil, nos Estados Unidos, no Canadá e na própria Alemanha preocupa o resto da humanidade que tem consciência do enorme risco que uma ruptura entre eles representa para a paz e o desenvolvimento. Não é possível esquecer o quanto de tragédias, de vidas perdidas e de patrimônio destruído, em razão da arbitragem militar que prevaleceu entre eles nos últimos mil anos, pelo menos.
Quanto ao Brasil, neste final do primeiro ano do novo governo federal, sob a presidência de Dilma Rousseff, podemos dizer que vamos indo relativamente bem em matéria de desenvolvimento, com estabilidade social. Ela tem se conduzido com profissionalismo, mostrando eficiência e firmeza ao lidar com os problemas sejam na esfera política quanto administrativa.

Seu governo vem agindo com competência para manter o país crescendo, com sua equipe econômica sustentando sem desvios a ampliação do controle fiscal e uma política monetária ajustada aos objetivos de controlar a inflação sem se afastar das metas de crescimento. Temos um déficit em torno de 2.5% ou 2.6% do PIB, uma dívida líquida em torno de 40% do PIB e uma relação Dívida Pública/PIB próxima de 60%.

Se olharmos em volta, vemos que o PIB brasileiro continua crescendo mais do que a maioria dos países, certamente com uma "performance" inferior à que desejávamos e estamos acostumados, mas terminamos o ano com uma expansão de 3% ou um pouco mais e com velocidade de cruzeiro para voltar ao ritmo de 3,5% a 4% já em 2012 e com boas possibilidades de aumentar a velocidade nos próximos anos.

O Brasil está no mundo e aproveita as oportunidades de expansão quando recebe os benefícios do vento a favor e tem que enfrentar as dificuldades que fazem parte da vida neste planeta globalizado. Se a crise europeia piorar, seguramente não teremos um 2012 dos mais brilhantes, mas se a sua economia encontrar caminhos para reagir à crise e se a política produzir um avanço civilizatório importante, certamente reencontraremos um crescimento mais robusto, com certeza bem maior do que o da maioria dos nossos parceiros.

Minha avaliação, nesse momento, é que a Europa caminhará muito lentamente para a recuperação, mas evitará o pior, o que nos ajudará a retomar as atividades de comércio que podem nos ajudar a aumentar o ritmo do crescimento ainda em 2012. Quero aproveitar para desejar à todos os nossos caros leitores e às empresas que generosamente acolhem nossos comentários, um Feliz Natal e muito próspero Ano Novo de 2012.


O autor, Antonio Delfim Netto, é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento e articulista do JC