09 de julho de 2026
Política

PV e PPS miram erros de Rodrigo

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

A reunião realizada na manhã de ontem na Câmara Municipal de Bauru foi marcada pelo discurso de lideranças do PV e do PPS, que ressaltaram a união dos partidos como a primeira parceria firmada entre os oposicionistas do governo Rodrigo Agostinho (PMDB). Como já era esperado, sobraram críticas para a administração do prefeito, que chegou a ser chamado de incompetente por Amarildo de Oliveira (PPS).

O vereador foi o ?mestre de cerimônias? do encontro e também quem dirigiu as críticas mais duras ao governo. Oliveira citou a demora na elaboração do Plano Municipal de Educação, o surto de dengue, os problemas na área da Saúde, a ausência de políticas para combater a dependência química, a lentidão na recuperação dos viadutos Mauá e 9 de Julho e o inchaço da máquina pública. "O prefeito colocou um monte de gente lá, focando na eleição. Ele mascara os números, mas terá que se preparar para um debate duro sobre a cidade", provocou.

Já tratado como pré-candidato ao Palácio das Cerejeiras, Clodoaldo Gazzetta (PV) endossou o discurso de Amarildo e também lembrou do sucateamento do Departamento de Água e Esgoto (DAE). "A autarquia era um exemplo de repartição pública e, nesse governo, passou a ser a mais deficitária", afirmou.

Mas, no caso particular de abastecimento, o PV ainda está devendo o aceno de contribuição para o suposto financiamento (através da Sabesp), a taxas acessíveis, para a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). A promessa de uma linha "especial" de financiamento, lançada na última reunião regional no mesmo palco de ontem, o plenário do Legislativo, até agora não foi concretizada.

Mas o pré-candidato a prefeito pelo PV criticou também o estado de abandono dos sete estados distritais do município, mesmo com a proximidade do período eleitoral e, principalmente, da realização dos Jogos Abertos do Interior em Bauru, em novembro do ano que vem.

Quem também participou da reunião foi o vereador Natalino da Pousada (PV). O parlamentar é o ?calcanhar de Aquiles? dos verdes, que tentam se consolidar como oposição, enquanto seu representante no Legislativo se beneficiou ao longo dos três últimos anos das regalias destinadas à base de sustentação de Agostinho, sendo considerado como o mais governista dentre os ?oposicionistas?.

Mas o PV "esconde" a discussão em torno do comportamento de Natalino diante da opinião pública. E, como se trata do único membro do partido com assento na Câmara, o partido "fecha os olhos" para a situação desconfortável. O próprio Natalino não leva em conta, pelo menos até agora, que terá dificuldades durante o período eleitoral. Vai subir em palanque que vai "descer a lenha em Rodrigo" enquanto ele listará as benfeitorias conquistadas junto ao mesmo prefeito.


Ilusão?

Gazzetta também comentou a sensação por parte da população de que a administração de Rodrigo Agostinho caminha bem. Para ele, o bauruense não tem parâmetros para comparar o atual governo por conta de uma sequência de anos em que a cidade ficou inerte.

Ou seja, os bauruenses, sobretudo na periferia, vivem a sensação de "aprovação" pelo recebimento de benfeitorias como asfalto e academias ao ar livre, sem parâmetros objetivos para avaliar se, com tanto recurso disponível em caixa, Rodrigo não deveria ter feito mais e melhor. Esta é uma premissa que os verdes, através de Gazzetta, estão estudando desde já, em preparação para as eleições.

Rival esperado do chefe do Executivo nas eleições de 2012, Clodoaldo citou que não há registros de municípios do porte de Bauru em que o prefeito tenha assumido a prefeitura com R$ 40 milhões em caixa. "Com dinheiro qualquer um faria o que está sendo feito. Eu fico muito preocupado com essa tentativa de multipliar a ideia comum de que as coisas parecem estar indo bem", pontuou.

Gazzetta criticou ainda as prioridades da administração, dizendo que o governo poderia ter investido na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). "Asfalto é importante, mas o prefeito preferiu priorizar apenas isso. O pior é que esses serviços são executados sem critério. Será que é só a barganha política que conta?", questionou.


Grupo sonha com DEM

Citado como potencial nome para ocupar o posto de vice da chapa encabeçada por Clodoaldo Gazzetta (PV), Clemente Rezende (PPS) defendeu a necessidade de que a parceria, que conta também com o PHS, amplie suas alianças. Ex-vereador e ex-presidente do DAE, Rezende foi vice de Caio Coube (PSDB) em 2008, mas disse que abre mão de compor a chapa majoritária caso uma nova sigla indique nomes viáveis.

Nesse sentido, o DEM é o preferido do comando do PPS, até mesmo pela afinidade entre os partidos na Câmara Municipal. O presidente Dudu Ranieri (DEM), porém, ainda acredita que a candidatura própria é o melhor caminho.

Amarildo de Oliveira acredita que uma pesquisa a ser realizada em janeiro deve indicar o nome ideal para o posto de vice na chapa de Gazzetta. Alguns setores do PPS defendem o nome do vereador em razão do alcance a camadas mais populares. Rezende, porém, acredita que a disputa pela reeleição de Oliveira pode ser um bom caminho para que a sigla amplie o número de cadeiras no Legislativo.


PTB e PSDB continuam só no flerte

Ricardo Oliveira (PTB) e os demais membros do PTB também se reuniram na manhã de ontem, onde houve o primeiro encontro entre os pré-candidatos à vereança do ano que vem. No entanto, o encontro serviu também como o ?primeiro gesto de aproximação? da sigla com o PSDB.

O pré-candidato tucano, Elizeu Eclair, participou da reunião para ?reforçar a relação? entre as siglas. "Esse é um período de amadurecimento. As decisões vão ficar para depois do Carnaval", afirmou o ex-coronel da Polícia Militar (PM).

Segundo o presidente do PTB, o partido só tem confirmada a coligação proporcional com o nanico PTN. "Vamos lançar uma chapa com 34 candidatos, sendo que 30 devem ser do nosso partido", disse Oliveira.

Ele conta que os pré-candidatos à vereança receberam em CD um manual sobre o papel do parlamentar nos municípios. A cartilha foi elaborada pelo Senado Federal.