Ana Paula Pessoto
Pesquisas realizadas acerca do desenvolvimento humano e corporativo apontam que o bom desempenho profissional está intimamente ligado às metas pessoais e ao clima, relações interpessoais, cultura e conhecimento dentro das empresas. Exemplo é a pesquisa feita no primeiro semestre de 2011 pelo Núcleo de Coaching Integração, da Integração Escola de Negócios, onde 65% dos profissionais entrevistados revelam não ter ou não saber claramente quais são os seus objetivos de médio e longo prazo, realidade que gera insatisfação profissional e entraves motivacionais.
O estudo foi desenvolvido durante cinco meses com uma amostra de mil profissionais das cidades de São Paulo e Porto Alegre. As mulheres e os homens analisados são profissionais e empresários com idade entre 23 e 75 anos, ativos, inativos, em transição de emprego, iniciantes e aposentados. "A finalidade do estudo foi entender com profundidade a atual relação das pessoas com suas vidas, com seus objetivos no trabalho e se estão preparadas para o futuro do Brasil, isso segundo questões comuns das empresas que contratam nossos serviços para motivar e desenvolver profissionais", afirma a executiva Jaqueline Weigel, diretora do Núcleo de Coaching Integração.
Os resultados do estudo não são nada positivos nos quesitos médio e longo prazo: apenas 13,5% da amostra tem objetivos para 10 ou 20 anos de forma clara e definida. 33% declararam não ter nenhum objetivo profissional a longo prazo, enquanto outros 32,5% revelaram não os ter de forma clara. Já 15% da pesquisa nunca pensaram em prazo tão longo e 6% não responderam a pesquisa.
Sem rumo
"As pessoas não foram ensinadas a criarem metas tangíveis, formatadas e claras, então têm anseios abstratos, como saúde, paz, felicidade ou a mais simples e rasa de todas: ganhar dinheiro. Essas pessoas não são treinadas para serem conquistadoras de sonhos, ou sequer de construir uma obra, um legado. Passam a não ser capazes de responder perguntas básicas como quem é você, qual é seu sonho e porque ele é importante para você. Então, o profissional nessa situação pede aumento, só reclama ou troca de trabalho", analisa Weigel.
Segundo Jaqueline, a empresa, por sua vez, absorve as frustrações dos colaboradores sem saber lidar com o assunto. Em sua análise, ela cita que as empresas precisam entender quem é o ser humano. De outra forma, planos de carreira, remunerações, benefícios e até projetos não serão suficientes para gerenciar, motivar e mobilizar pessoas pelos resultados.
Até por não saberem quem são profissionalmente ou por não saberem para onde vão, Weigel acredita que 80% estão insatisfeitos profissionalmente. "O olhar da gestão sobre o funcionário precisa mudar".
"Pedi demissão por falhas na liderança"
A advogada Carla (nome fictício), 31 anos, trabalhou cinco anos em uma empresa de recuperação de crédito até pedir demissão, há um ano, por não tolerar mais as falhas na liderança. Segundo ela, sua líder não entendia muito bem a lógica do trabalho, não assumia suas responsabilidades e não tinha perfil para lidar com o público. Como resultado, os desentendimentos passaram a afetar também sua vida pessoal.
"Eu ficava muito nervosa e levava tudo para casa. Tanto é que minha família e amigos apoiaram a minha decisão de pedir demissão mesmo sem ter outro emprego. Levei o problema à chefia, mas percebi que não haveria mudanças", lembra a moça que hoje é autônoma.
Segundo o consultor em empreendedorismo e finanças Adriano Fabri, as empresas deixam a desejar quanto o assunto é treinamento do funcionário (Veja outras causas de infelicidade profissional no infográfico). "Isso pode ser claramente observado em estabelecimentos comerciais, o que pode levar à falta de comprometimento de muitos colaboradores".
Fabri aponta que muitas empresas do Interior já despertam para a necessidade de elaborar políticas de ação para reverter o quadro da insatisfação profissional. Contudo, elas ainda são minoria. "Profissionalizar a gestão de pessoas é fundamental, assim como está acontecendo com a gestão financeira e os setores comercial e de marketing".