08 de julho de 2026
Geral

Saída pode estar na identificação

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Ana Paula Pessoto

Especialistas avaliam que há duas forças geradoras de infelicidade no trabalho. Uma é externa (leia na página 12) e a outra, interna. A segunda questão não está intimamente ligada à empresa, mas sim à forma como o trabalhador se relaciona com ele mesmo, ou seja, se os seus valores estão conectados com os valores da atividade que ele executa.

"A humanidade é dividida por seis valores: social, teórico, estético, tradicionalista, utilitário e individualista. Se o que o profissional faz não está conectado aos seus valores pessoais, ele será infeliz naquilo que faz. Em mim, o valor tradicionalista fala alto. Este valor consiste em passar conhecimento para outras pessoas e o meu trabalho como palestrante está totalmente conectado a isso. Portanto sou uma pessoa feliz no trabalho. Mas muitas pessoas não estão profissionalmente conectadas ao seu valor e sua essência", explica Ricardo Piovan, palestrante e coach organizacional.

Segundo Piovan, duas questões são importantes frente a tal questão pessoal. A primeira, como já dito, consiste em analisar se os valores individuais estão conectados com o trabalho exercido. "Se o caminho percorrido não for o desejado, será preciso coragem para fazer uma mudança um tanto drástica", lembra.

A segunda questão levantada pelo palestrante é a busca pelo desenvolvimento emocional, isto é, aprender a lidar com a pressão e a adversidade do dia a dia assim como lidar com líderes que não têm a menor habilidade de liderar e, assim, saber passar pelas pressões sem se quebrar.

"Nesse contexto, a pessoa não estiver bem consigo mesma, fatalmente ela não se dará bem em nenhuma empresa, mesmo que esta tenha sólidas políticas que beneficiem os funcionários, como plano de carreira, por exemplo", aponta a psicóloga organizacional Keila Isabel Botan.


Sem surpresas

E para não sofrer com a inadequação à atividade profissional e evitar futuras frustrações, uma dica da psicóloga Keila é pesquisar os valores e políticas da organização antes de se candidatar à vaga de emprego.

Já dentro de uma empresa, o empregado pode solicitar a troca de função, caso considere o seu perfil inadequado para a atividade por ele exercida.

Segundo Keila, outro ponto comum que também gera infelicidade é a idealização da carreira profissional ainda na faculdade. "Quando vai para o mercado, o novo profissional pode se frustrar com a prática da profissão".

Nesse caso, a busca por novos cursos ajuda a ampliar a visão e a desenvolver outras habilidades, o que pode ser outra solução (Veja mais dicas no infográfico desta página). "O problema da insatisfação no trabalho, muitas vezes, não está apenas na empresa, mas também no indivíduo. Não é possível vivenciar e focar apenas um lado da profissão. É preciso abrir o leque", aconselha.

Questão externa

Em artigo publicado no endereço eletrônico www.portalfox.com.br, Ricardo Piovan aponta uma pesquisa recente feita pela International Stress Management no Brasil (Isma-BR) onde 76% dos entrevistados com idade entre 25 e 60 anos se sentem infelizes com sua vida profissional.

Piovan observa que a insatisfação no trabalho vem crescendo nos últimos anos, principalmente pela crescente pressão. "Nos dias atuais, a tônica das empresas é fazer mais com menos recursos e esta nova forma de trabalhar exige mais das pessoas e algumas delas não sabem lidar com isso e ficam infelizes. A falta de habilidade dos gestores em conduzir este processo é um agravante".

Oferecer mais conhecimento comportamental e emocional para os funcionários é, segundo Piovan, uma forma das empresas amenizarem essa realidade ruim para ambos os lados. Partindo dessa lógica, conhecendo suas atitudes e emoções, o profissional consegue lidar melhor com as pressões diárias, além de produzir mais com um desgaste energético menor.