08 de julho de 2026
Internacional

Morte de ditador coreano gera tensão

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Pyongyang - A morte de Kim Jong-il - Estimado Líder, Estrela Guia do Século 21 e Glorioso General que Desceu do Céu, entre 200 títulos oficiais - lançou a Coreia do Norte, país comunista e uma das ditaduras mais fechadas do mundo,  em um cenário de dúvidas após os seus 17 anos no poder. A morte e a incerteza sobre o quadro sucessório fizeram a vizinha Coreia do Sul - cuja guerra com a do Norte, em cessar-fogo desde 1953, nunca se encerrou oficialmente -  entrar em alerta e causaram apreensão nos EUA, inimigos do regime, em razão do arsenal nuclear norte-coreano.

O ditador, cujo nome se pronuncia “kim djón il” (Kim é o sobrenome), morreu de infarto no último sábado, aos supostos 69 anos (não há certeza sobre sua data de nascimento), durante “viagem de inspeção” em seu trem, disse a mídia estatal. Ele já sofrera um aparente AVC em 2008.

A notícia só foi divulgada na madrugada de ontem (horário de Brasília). Horas depois, o partido governista norte-coreano, dos Trabalhadores, e outros órgãos estatais divulgaram nota sugerindo que  o sucessor escolhido por Jong-il, seu filho Kim Jong-un, está no comando.

O comunicado chama Jong-un (pronuncia-se "djón un"), terceiro filho de Jong-il - os mais velhos se desentenderam com o pai -, de “grande sucessor” e “eminente líder do Exército e do povo”.

De idade estimada entre 28 e 30 anos, Jong-un também foi designado chefe do comitê que organizará os funerais do pai, marcados para 28 deste mês. Prevê-se que a cerimônia sirva de demonstração de apoio ao novo líder.

A dúvida de analistas é em que medida Jong-un, preparado para a sucessão desde a época do AVC do pai, mas sem experiência prévia, governará de fato -especula-se que seu tio, Jang Song-taek, atual número dois do regime, possa atuar como regente.

Outros especialistas questionam em que medida o poderoso Exército do país e sua elite estão dispostos a aceitar a terceira geração da família Kim no comando -o avô de Jong-un, Kim Il-sung, ocupou o poder de 1948 até sua morte, em 1994. Ao todo, a “dinastia” governa há 63 anos. Logo após anúncio da morte do ditador, a agência sul-coreana Yonhap registrou testes de mísseis de curto alcance do lado norte. Rotineiros, eles foram vistos ontem como tentativa de sinalizar a estabilidade norte-coreana. 

Em visita ao Japão, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, defendeu transição “estável e pacífica” na Coreia do Norte. Estima-se que o país tenha matéria-prima suficiente para fabricar oito bombas atômicas.

 

Povo vai às ruas da Coreia homenagear Kim Jong-il

Pyongyang - Milhares de norte-coreanos foram às ruas de Pyongyang ontem para prestar homenagem ao ditador Kim Jong-il, morto após sofrer ataque cardíaco. Muitos cidadãos choram intensamente, se ajoelham no chão, e alguns chegam até mesmo a desmaiar por sentir a morte do seu "querido líder". Crianças e adultos deixaram flores em homenagem ao ditador em memoriais montados pela cidade. "Ele morreu muito repentinamente, para nossa profunda tristeza", disse a agência estatal